segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Bruna Beber lança 'Rua da padaria' e confirma seu lugar na poesia brasileira contemporânea

Poeta tem dicção própria e não tem medo de enfrentar o mundo e mergulhar na memória

André Di Bernardi Batista Mendes - Estado de Minas Publicação:11/01/2014 00:13Atualização:11/01/2014 10:21
 
Para a poeta Bruna Beber, “tudo é letra, palavra, e som”, que se transforma em memória, talento, poesia. A escritora carioca acaba de lançar, pela Editora Record, Rua da padaria, onde reafirma o seu estilo forte e despojado. Depois de A fila sem fim dos demônios descontentes, seu livro de estreia, publicado em 2006, depois de Balés, seu segundo livro, de 2009, depois de Rapapés & apupos, de 2012, Beber mira e aponta sua verve para o certo e prova que já deixou de ser uma promessa literária. Joveme audaciosa, Bruna mostra que tem fôlego e talento de sobra.

Bruna confunde o leitor. O melhor desta jovem poeta é que ela gosta das coisas necessárias: gentes, lembranças, pão e manteiga, que pode ser palavra e poesia. Beber escreve dentro de um processo legítimo de perdas e ganhos (mais perdas do que ganhos), a poeta escreve num turbilhão legítimo de legítimas intuições necessárias.

Esta boa poeta fala de preguiças e “perderes”, fala de dúvidas e lírios e canta suas dores, e canta suas perdas, principalmente sementes vindas da infância, boas matérias e substrato para o que há de melhor em termos de arte – e poesia.

Bruna transita, solta, entre esquinas e circunferências, entre “prédios que assistem os ônibus”, ela mesma a melhor observadora do mundo. É que os olhos dos poetas enxergam um ambiente de cores, é que a alma dos poetas bebem de um mundo que aceita todas as cores, do cinza ao branco, passando pelos azuis de céus e pelos lilases de pássaros indecifráveis até certo ponto.

Bruna molha suas plantas (seus versos, seus poemas), com o carinho, com o desvelo de quem merece e salva em si o que tem de melhor. Porque “tudo tem barulho de mar”, porque Bruna percebeu a alegria dos monges, porque Bruna sacou que tudo importa: do inseto ao céu, pois tudo vibra. Bruna adivinhou que existem cavernas e biritas, panelas, dinossauros alados. Só mesmo uma poeta para dizer e alertar: “tem mar de todo tipo.”

Bruna tem, acima de tudo, uma grande qualidade quando o assunto é poesia: síntese. Muitos poemas do livro carregam sóis inteiros, à maneira de haikais, luas que fazem nascer na página, no livro, a poesia. Bruna não desbanca a palavra, ela encara o verbo e com ele bebe e brinca até nascer o verso. Um verso inacabado por natureza. Uma poesia urgente de marulho e incerteza.

Um bom poeta é puro e cheio de urgências. É incrível o poder, a dimensão que ganha uma simples toalha bordada quando o branco, ou as cores possíveis de tal urdidura, ganham asas e estatura de coisa/poesia.

Por que padaria? Por que rua? Porque homem é sinônimo de fome, e poesia é um muito pão. Porque é nas ruas que a vida acontece, de forma vil e grotesca, a rua é o nosso ambiente mais familiar. Pão e circo: somos seres necessariamente famélicos.

Bruna sabe dizer de si e de nós. Ela transita para alertar. O que dói primeiro vai doer para sempre: pode ser uma música no parque, pode ser, e é, uma grande alegria que só sentem os homens, as avós, as tias, as mães, os pais, os filhos e os poetas, que são as pétalas da mais alta árvore. Bruna Beber tem poemas traduzidos e publicados na Alemanha, Argentina, Espanha, Estados Unidos, México e Portugal. A poeta nasceu em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, em 1984.

RUA DA PADARIA

• De Bruna Beber
• Editora Record
• 68 páginas, R$ 25


Três perguntas para...

Bruna Beber
escritora

Como surgiu a inspiração para o título do livro?
A ideia para o título surgiu quando me dei conta de que queria explorar minha memória de infância no livro. Nasci e cresci na Baixada Fluminense. Não sei fazer o paralelo geográfico-econômico com Minas, mas é uma região de cidades-satélite do Rio. São municípios que têm sua economia própria, mas que não dão conta da sobrevivência de todas as pessoas, grande parte delas trabalha no Rio e na Zona Sul do Rio. Eu nasci em Duque de Caxias, onde morei até os 10 anos, e cresci em São João de Meriti, minha família ainda mora e se divide entre essas duas cidades. Minha avó morava num bairro de pequeno, cheio de pessoas de vários estados do brasil, sobretudo nordeste, que vinham tentar a vida no estado do Rio. Lá, na casa dela, passei boa parte da infância. Aquela coisa: uma igreja central, uma rua do comércio, uma rua dos ônibus. O açougue, a farmácia e a padaria eram grandes referências de localização, me dei conta disso depois que cresci, e também depois que conheci outras cidades pequenas. Sendo assim, as ruas não eram chamadas, na maior parte do tempo, por seus nomes, mas sim pelo estabelecimento mais importante localizado nelas. Minha avó e toda a minha família sempre se referiam a essa rua como “rua da padaria”, e assim o fazem até hoje. Daí a ideia de intitular o livro de Rua da padaria. Eu queria falar do pequeno para o grande, da minha “praça íntima”, mas também física, e homenagear não só a minha rua da padaria, mas as ruas da padaria que existem por aí.

Qual é a importância da memória para a sua poesia?

Nesse livro, especificamente, a memória tem um papel central. Houve um esforço de reconstituição, ou de construção mesmo, do que vivi ou de como imagino ter vivido. Quis pontuar algumas questões muito vivas daquela época – a cultura popular, os sotaques que se misturavam, a distância do mar, as brincadeiras, as primeiras paqueras, a escola, a convivência familiar numa família muito grande e unida, porém muito diversa, os eventos de cidade pequena etc. Só consegui escrever esse livro muitos anos depois de não só ter saído da casa dos meus pais, mas também do Rio, e de ter ido morar em São Paulo, onde vivo desde 2007.

Quais são os seus próximo projetos?

Em 2014 vou terminar de lançar/divulgar o livro que escrevi para crianças e lancei recentemente, o Zebrosinha. Estou envolvida em alguns projetos de literatura e vou dar também oficinas de poesia em alguns lugares do Brasil. Estou terminando de traduzir um romance e pretendo dar prosseguimento a uma narrativa longa que quero contar. 

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Foto Taboca, de Marcos Freitas


FOTO TABOCA

Quem não deixou
sua alma aprisionada
em 3X4
no lambe-lambe
do Seu Chiquinho
na Praça da Bandeira?

Marcos Freitas.
No livro: Urdidura de Sonhos e Assombros: poemas escolhidos (2003-2007), Ed. Cbje, RJ, 2010.




Fonte:Folder " a praça deu bandeira!".Fundac.1985.

http://kakiafonso.blogspot.com.br/2010/08/praca-da-bandeiratensoes-e-conflitos.html
 

Onça-pintada pode desaparecer da Mata Atlântica



09/1/2014 - 10h39

por Karina Toledo, da Agência Fapesp



De acordo com alerta feito por pesquisadores brasileiros na revista Science, restam no bioma 250 animais adultos distribuídos em oito populações isoladas e apenas 50 estão de fato se reproduzindo. Foto: Sandra Cavalcanti/Instituto Pró-Carnívoros
Agência FAPESP – A Mata Atlântica está na iminência de perder um de seus mais ilustres habitantes: a onça-pintada (Panthera onca). O alerta foi feito na revista Science, em carta publicada por um grupo de pesquisadores brasileiros membros do Sistema Nacional de Pesquisa em Biodiversidade (Sisbiota).
“Uma recente reunião de especialistas em vida selvagem concluiu que a Mata Atlântica, que no passado se estendia por toda a costa brasileira e também por parte da Argentina e do Paraguai, pode em breve ser o primeiro bioma tropical a perder seu principal predador, a onça-pintada”, relataram os cientistas na carta.
“Pesquisadores estimaram menos de 250 animais adultos vivos em todo o território, distribuídos em oito populações isoladas. Ainda pior, análises moleculares demonstraram que o tamanho da população efetiva local (número de animais que estão de fato se reproduzindo e deixando descendente, um parâmetro crítico para a manutenção da diversidade genética) está abaixo de 50 animais”, destacaram.
De acordo com Ronaldo Gonçalves Morato, coautor do texto e chefe do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap) do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), entre as causas do declínio estão a perda de habitat resultante do desmatamento e da fragmentação da mata e também a caça. Estima-se que, atualmente, reste apenas entre 7% e 12% da cobertura original da Mata Atlântica.
O impacto do desaparecimento da onça-pintada para o ecossistema local é difícil de prever, mas certamente o saldo será negativo. “Quando um grande predador desaparece, pode haver explosão nas populações de herbívoros, como veados, catetos e queixadas. Em excesso, esses animais acabam consumindo todo o sub-bosque da floresta e isso implica em perda da capacidade de recomposição e perda de estoque de carbono. Em longo prazo, pode levar à quebra da dinâmica da floresta”, avaliou Morato.
Pedro Manoel Galetti Junior, professor do Departamento de Genética e Evolução (DGE) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e coautor do texto, lembrou que o desaparecimento da onça-pintada pode ainda causar aumento desmedido nas populações de predadores intermediários, como jaguatiricas e outros carnívoros.
Por sua vez, isso poderá levar a um aumento na predação de ninhos e, potencialmente, à extinção local de muitas aves, importantes dispersoras de sementes, e alterar a estrutura da vegetação. “O predador de topo de cadeia tem um papel de regulação do ecossistema e, quando ele desaparece, um distúrbio é criado. Isso pode causar a extinção de algumas espécies, até que o ecossistema encontre um novo equilíbrio”, disse Galetti, que coordena pesquisa apoiada pela FAPESP e realizada no âmbito do Sisbiota – programa lançado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em 2010 que reúne pesquisadores de diversos Estados e, em São Paulo, conta com financiamento da FAPESP.
Plano estratégico para conservação
A iniciativa de enviar o alerta para a revista Science, contaram os cientistas, surgiu após uma reunião promovida em setembro de 2013 pelo Cenap com o objetivo de elaborar um plano estratégico para a conservação da onça-pintada na Mata Atlântica.
“Na semana anterior ao evento, havia sido publicado também na Science um artigo sobre a recuperação da população de carnívoros no Hemisfério Norte graças a medidas adotadas há mais de 20 anos, como reflorestamento, reintrodução e translocação de indivíduos. Alguns fatores de manejo utilizados por lá permitiram que algumas espécies praticamente extintas voltassem a ocupar certos espaços. Nossa carta tinha o intuito de fazer um contraponto a esse artigo”, contou Morato.
O evento promovido pelo Cenap reuniu diversos membros da rede Sisbiota. O objetivo do grupo é fomentar e ampliar o conhecimento não apenas sobre predadores, mas sobre toda a biodiversidade brasileira, bem como melhorar a capacidade preditiva de respostas às mudanças de uso e cobertura da terra e às mudanças climáticas.
De acordo com os especialistas, a medida mais urgente a ser tomada para salvar a onça-pintada seria o aumento da fiscalização para evitar a perda de indivíduos tanto pela caça quanto pela redução do ambiente causada pelo desmatamento ilegal.
“Primeiro precisamos estancar a perda para então pensar em trabalhar para recuperar as populações. Estamos discutindo a possibilidade de fazer a translocação de indivíduos (colocar novos animais em uma população existente para trazer informação genética nova para o grupo), pois as análises têm mostrados que geneticamente muitas dessas populações remanescentes estão comprometidas. Mesmo se a perda de animais cessar, será necessário recompor essas populações”, afirmou Morato.
Outra possibilidade, contou o pesquisador do Cenap, é recorrer a ferramentas de reprodução assistida. “Podemos coletar sêmen de um indivíduo de uma região e inseminar uma fêmea de outra população, por exemplo. Esse mecanismo pode ser mais prático do que fazer a translocação”, contou Morato.
De acordo com o plano em elaboração pelo Sisbiota, nenhum animal seria solto sem um sistema de monitoramento 24 horas e sem um programa prévio de educação e conscientização com as comunidades do entorno. “É necessário um trabalho forte para que essas comunidades aceitem o retorno do animal. É preciso orientação para que não haja risco no contato com a população humana e para que haja um manejo de rebanhos de modo a evitar a caça por perda econômica”, afirmou Morato.
Para Galetti, antes que qualquer medida seja tomada, é preciso ampliar o conhecimento científico sobre a onça-pintada – o que inclui informações sobre a biologia, a ecologia, a genética e os sistemas em que ela está incluída, ou seja, os demais organismos que interagem com ela. “Não se pode pensar em translocar animais enquanto não se tem segurança e controle sobre os impactos da medida”, ponderou.
Muitos dos estudos que embasam a discussão do plano de recuperação da onça-pintada foram conduzidos no âmbito do Sisbiota, que completa três anos. Parte dos dados foi apresentada nos dias 9 e 10 de dezembro, em São Carlos, durante o 1º Simpósio Brasileiro sobre o Papel Funcional de Predadores de Topo de Cadeia.
O artigo Atlantic Rainforest’s Jaguars in Decline (DOI: 10.1126/science.342.6161.930-a), de Ronaldo Morato, Pedro Galetti e outros, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org/content/342/6161/930.1.full?sid=b8928fb9-3760-4f2e-9188-23bc28d2dc2f.
* Publicado originalmente no site Agência Fapesp.
(Agência Fapesp)

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Urdidura de sonhos e assombros, de Marcos Freitas

Escritor piauiense Marcos Freitas lança Urdidura de sonhos e assombros

Publicação: 17/09/2010 08:00 Atualização:
 

Existem pessoas que nascem em um berço tão sólido que seria improvável não vê-las atuando em alguma linguagem artística. O engenheiro piauiense Marcos Freitas é uma delas. Oriundo de uma família dedicada aos movimentos culturais, ele gosta de destacar que, além de seu pai, seus tios e seu avós terem sido escritores, a família foi a grande responsável pela fundação da Academia Piauiense de Letras, que contou com familiares como Lucídio, Clodoaldo e Alcides Freitas. “Minha parente Amélia de Freitas Beviláqua foi a primeira mulher a tentar integrar a Academia Brasileira de Letras, antes mesmo da Rachel de Queiroz”, completa.

Seguindo os passos, Marcos também tornou-se escritor e poeta. Hoje, ele soma 12 livros publicados. Entre eles estão três obras técnicas sobre engenharia e outras nove, todas de poesia. “Primeiro fui estudar para me tornar engenheiro. Só depois passei a me dedicar mais à literatura, já que infelizmente ainda não dá para viver de poesia”, explica.

A última obra, Urdidura de sonhos e assombros, lançada pela editora Câmara Brasileira de Jovens Escritores (CBJE), é uma antologia que traz cerca de 250 poemas escritos entre os anos de 2003 e 2007, todos retirados das seis primeiras publicações do autor. “Urdidura junta textos produzidos em solo brasiliense, já que moro aqui desde 2001”, atualiza o engenheiro civil, que se mudou para a cidade por conta de sua posição na Agência Nacional de Águas (Ana).

Por escrever desde os 10 anos, o autor declara ter material acumulado, até dois romances que nunca foram impressos, mas que pretende lançar na praça em breve. Com 47 anos, além de ser letrista, músico amador e de possuir participações em diversas atividades, cargos de chefia e cursos voltados para a engenharia, Marcos se destacou em sua carreira literária por fazer parte do Coletivo de Poetas do Distrito Federal e por suas prosas contemplarem diversas antologias, como a Contos e crônicas livre pensador, da editora Scortecci; a Antologia de poetas brasileiros contemporâneos nº 4 e As 100 melhores poesias de 2004, ambas da mesma CBJE, que distribui seu último lançamento.

Marcos também possui uma obra chamada Staub und schotter (poeira e cascalho, em tradução literal para português), na qual uniu suas poesias feitas em línguas estrangeiras, como inglês, português, espanhol, italiano, francês e alemão; e já participou do projeto Poesia 10-10-10, ao lado do reconhecido poeta Nicolas Behr.

Trecho

Aflorações
fuga de corrente?
quem sabe
meu coração
não tem voltímetro
súbito?
quem sabe
meu trapézio
não tem lona
chuva de maio?
quem sabe
meu querer
não tem ensaio
desvario?
quem sabe
minha calçada
não tem meio-fio







APRESENTAÇÃO

Marcos Freitas chega, precocemente, à primeira antologia de poemas (2003-2007), num percurso de produção intensa e constante. Engenheiro como o nosso Joaquim Cardoso (calculista das obras de Niemeyer, na mesma Brasília em que agora, no ano de seu cinquentenário de fundação, vive Marcos Freitas). Cientista e poeta, uma combinação que vem das origens da poesia, quando o verso era também o curso e o discurso do saber científico, da poiesofia, da techné. Também o grande João Cabral de Melo Neto reclamava ser a poesia um exercício de engenharia, de engenho e arte. Marcos Freitas também é nordestino e atua na criação poética com suor e destreza, como queria o modernista Cassiano Ricardo:

POÉTICA

1
Que é a Poesia?

uma ilha
cercada
de palavras
por todos
os lados.

2

Que é o Poeta?

um homem
que trabalha o poema
com o suor do seu rosto.
Um homem
que tem fome
como qualquer outro
homem.


(De Jeremias Sem-Chorar. São Paulo: José Olympio, 1964)

Marcos Freitas, no entanto, é um poeta lírico, mas também tem raízes sociais, e em versilibrismo avança no domínio de sua técnica, reconhecendo "um poema / tão denso e pequeno / que não cabe em si", que é o desafio. Síntese, amálgama, fusão de idéias e sentidos, e — por que não? — de mementos e sentimentos.

Poesia como um exercício de vida. Poesia e vida: "em letras garrafais/ te sinto/ e / te desejo/ como a uma botelha de absinto." Botelha, com origem no francês (bouteille), mas em português seleto, como o próprio absinto que o poeta evoca. Poesia é também estas coisas que vem das coisas, mas que são outras coisas, coisas que só existem na poesia, e que o leitor também aprecia, no caso, da própria garrafa-poema lançada ao universo.

Não é um poeta narcisista e ensimesmado. É um poeta da noite, das relações, dos acasalamentos. "Um jeito meio assim", casual, jovem, de um propósito construído na circunstância. Tátil. Verso solto, que é contido, mas também desprendido e sutil, que é um registro sensorial e ao mesmo tempo mental, recursivo, pois o poeta sempre volta à solidão e ao espelho. Os tais "momentos-intantes" de que nos fala Marcos em um de seus poemas.

Nordestino desterrado, levado a terras distantes. A outras línguas e experiências, guarda um tanto a aparência de um passado que ele mantém vivo —não apenas porque conserva a vasta cabeleira dos rebeldes, mas por manter uma dialética questão com o tempo: "o tempo passado,/ passado sem os meus. /o tempo futuro/ futuro para os seus?", diz no poema da Irreversibilidade.

Queiramos ou não, a poesia nos remete sempre à autobiografia, ao memorialismo, que não é apenas do poeta, mas sobretudo do leitor, que se identifica e se reconhece.

FOTO TABOCA
Quem não deixou
sua alma aprisionada
em 3X4
no lambe-lambe
do Seu Chiquinho
na Praça da Bandeira?

A poesia de Marcos flui e reflui. É relicário e é ofertório, como a sua/nossa Cajuina que é "pura, cristalina/ do Piauí, genuína". Ah, Marcos viveu na Alemanha, escreve seus poemas em várias línguas, mas tem um retrato ovalado na parede que ele trouxe do seu Piauí, naquela "difusa fronteira de tua (dele, nossa) verve fantasia."
De carne e sonho, de beijos e coices de amor, como queria Oswald de Andrade.

Antonio Miranda  

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Climate Change Impacts on Water Resources Management

Climate Change Impacts on Water Resources Management
Adaptation Challenges and Opportunities in Northeast Brazil

Eduardo Sávio Martins, President, Meteorology and Water Resource, Center of Ceará State
Cybelle Frazão Costa Braga, Consultant, World Bank
Francisco de Assis de Souza Filho, Professor, Federal University of Ceará
Marcia Alcoforado de Moraes, Professor, Federal University of Pernambuco
Guilherme Marques, Professor, Federal Center for Technological Education
Eduardo Mario Mendiondo, Professor, University of São Paulo
Marcos Airton de Souza Freitas, Senior Water Resources Specialist, Brazil National Water Agency
Victor Vazquez, Water and Sanitation Specialist, World Bank
Nathan Engle, Climate Adaptation Specialist, World Bank
Erwin De Nys, Senior Water Resources Specialist, World Bank

http://www-wds.worldbank.org/external/default/WDSContentServer/WDSP/IB/2013/07/15/000356161_20130715142452/Rendered/PDF/795280WP0P144500Box037737900PUBLIC0.pdf

A Regulação dos Recursos Hídricos





APRESENTAÇÃO

Este livro trata da análise do modelo vigente de gestão de recursos
hídricos, com seus avanços e problemas de implementação, visando
apresentar proposições ao seu aprimoramento. Tem como objetivo geral
discutir o atual modelo de gestão da água com ênfase nos aspectos de
regulação e de controle social (busca da eficiência e melhoria da
qualidade e resgate da esfera pública como instrumento do exercício da
cidadania, dentre outros aspectos). Para a consecução dos objetivos
expostos, procurou-se analisar a temática a partir de uma abordagem
teórico-histórica da regulação (modelos de administração da água
implantados no Brasil e gênese das agências reguladoras) e da gestão
participativa dos recursos hídricos, envolvendo a relação do Estado e
da esfera pública, em especial, no âmbito dos comitês de bacias
hidrográficas e agências de água. Conclui-se, destarte, que a
participação efetiva e qualificada da sociedade civil nos conselhos e
nos comitês de bacias necessita ser aprimorada, sendo de suma
importância para o aperfeiçoamento da gestão integrada de recursos
hídricos e da democracia deliberativa brasileira.
O Autor


Catalogação na fonte
F8665a Freitas, Marcos Airton de Sousa
A regulação dos recursos hídricos: estado e esfera pública na gestão de
recursos hídricos : análise do modelo atual brasileiro, críticas e
proposições/ Marcos Airton de Sousa Freitas. — 1. ed. — Rio de Janeiro:
CBJE, 2009. 21cm - 174p. : Il.
ISBN: 978-85-7810-278-4
1. estado 2. esfera pública 3. regulação 4. recursos hídricos, gestão
5. sociedade civil
I. Marcos Airton de Sousa Freitas II. Título
CDU 556.18:35 (81)


Para a aquisição do livro:
http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.a...

O livro foi lançado na 28ª Feira do Livro de Brasília, no
Shopping Pátio Brasil – Estande-Espaço Mangueira Diniz, em 24 de
novembro de 2009. 

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Gestão de Recursos Hídricos em Regiões Semiáridas


Autor: Marcos Airton de Sousa Freitas
ISBN: 8578106601 ISBN-13: 9788578106607
Brochura, 1ª Edição – 2010, 413 pág. Preço R$ 80,00

O autor não se propõe a lutar quixotescamente contra a seca e derrotá-la, mas sim compreender os fenômenos envolvidos nos diversos tipos de seca, conjeturar sua ocorrência, sua duração e sua intensidade, e estabelecer critérios para que sejam tomadas decisões realistas. Trata-se de um livro complementar à cadeira de Hidrologia, para ser utilizado principalmente pelos cursos que têm em vista a formação de hidrólogos que vivem e trabalham nas regiões assoladas pelas secas, constituindo-se em uma fonte segura de pesquisa sobre o tema. Embora haja interdependência entre os capítulos, eles podem, até certo ponto, ser lidos independentemente uns dos outros, fazendo com que o livro possa ser também usado como manual de procedimentos por gestores, administradores públicos e demais tomadores de decisão, uma vez que cada capítulo possui sua própria lista bibliográfica.



Onde adquirir o livro:

http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=9044208&sid=97511819712322634963904325&k5=D11FF6E&uid=

http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/3373355/que-venha-a-seca-modelos-para-gestao-de-recursos-hidricos-em-regioes-semiaridas/?ID=BD4B76C57DB01150C1D160306

http://www.fnac.com.br/pesquisa/undefined/fnac.html?=que%20venha%20a%20seca

http://www.siciliano.com.br/pesquisaweb/pesquisaweb.dll/pesquisa?ESTRUTN1=0301&ORDEMN2=E&PALAVRASN1=que+venha+a+seca&x=44&y=13

http://www.livrariagalileu.com.br/home/detalhe.asp?id_livro=177871&buscape

QUE VENHA A SECA
Sumário
AGRADECIMENTOS
APRESENTAÇÃO
PREFÁCIO
CAPÍTULO 1 MUDANÇAS CLIMÁTICAS E SECAS
CAPÍTULO 2 O FENÔMENO DAS SECAS, A GESTÃO DE RECURSOS HÍDRICOS E O NORDESTE DO BRASIL
CAPÍTULO 3 ANÁLISE INTEGRADA DO FENÔMENO DAS SECAS (SIGES)
CAPÍTULO 4 MODELAGEM CHUVA-VAZÃO EM RIOS DO SEMIÁRIDO
CAPÍTULO 5 GERAÇÃO SINTÉTICA DE VAZÃO EM RIOS DE REGIÕES SEMIÁRIDAS
CAPÍTULO 6 MODELOS DE ESTIMATIVA DE DEMANDA
CAPÍTULO 7 MECANISMOS DE ALOCAÇÃO E NEGOCIAÇÃO DE RECURSOS HÍDRICOS
CAPÍTULO 8 APLICAÇÕES DO SIGES AO SEMIÁRIDO BRASILEIRO
CAPÍTULO 9 ANÁLISE MULTICRITÉRIO E TOMADA DE DECISÃO EM REGIÕES SEMIÁRIDAS
CAPÍTULO 10 ANÁLISE DE RISCO NA GESTÃO HIDROAMBIENTAL
CAPÍTULO 11 OPERAÇÃO DE RESERVATÓRIOS EM SITUAÇÕES DE ESCASSEZ
CAPÍTULO 12 INTEGRAÇÃO SETORIALNA GESTÃO DE RECURSOS HÍDRICOS
CAPÍTULO 13 PLANOS DE CONVIVÊNCIA COM AS SECAS E MITIGAÇÃO DOS IMPACTOS
CAPÍTULO 14 CONSIDERAÇÕES FINAIS


FREITAS, MARCOS
Marcos Freitas tem Pós-graduação em Engenharia Civil - Dipl. Ing. - Universität Hannover (1995). Mestrado em Engenharia Civil (UFC, 1991). Graduação em Engenharia Civil (UFPI, 1985). Especialista em Recursos Hídricos da Agência Nacional de Águas - ANA, desde 2001. Professor Universitário, desde 1990 (atualmente licenciado). Engenheiro Civil/Consultor (1985-2000). Coordenador e professor de diversos cursos de Pós-graduação (Engenharia de Software; Gestão de Recursos Hídricos; Gestão Ambiental). Mais de 100 publicações técnico-científicas em periódicos e anais de simpósios nacionais e internacionais e mais de 40 livros e capítulos de livros, técnicos e de literatura, em autoria e co-autoria, em 6 idiomas. Aprovado em 2º lugar para o cargo de Especialista em Infraestrutura Sênior – Recursos Hídricos, do MPOG. Participou da elaboração do Plano Nacional de Recursos Hídricos - PNRH, do Plano da Bacia do rio São Francisco - PDRHSF, do GEO Brasil Recursos Hídricos (PNUD), GEF São Francisco, Outorga do Sistema Cantareira (SP), dentre outros. Fundador e Ex-Diretor Técnico-Científico da Associação dos Servidores da Agência Nacional de Águas - ASÁGUAS. Fundador e Ex-Conselheiro da Associação Nacional dos Especialistas em Regulação - ANER. Autor da ideia da criação da Escola Nacional de Regulação. Sócio da Associação Brasileira de Recursos Hídricos - ABRH. Fundador da Associação Piauiense de Astronomia – APA (1982). Militante estudantil e sindical no início da década de 80. Poeta. Contista. Letrista. Músico amador. Diretor do Sindicato de Escritores do DF. Filiado à Associação Nacional de Escritores - ANE e à União Brasileira de Escritores - UBE.