quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
sexta-feira, 13 de novembro de 2015
Movimento Comunitário do Jardim Botânico: tempo de planejamento!
19:01
Movimento Comunitário do Jardim Botânico - RA-XXVII
Da Redação do MCJB - 12/11/2015
Depois de duas semanas de trâmites administrativos para obtenção do CNPJ como entidade social, as diretorias administrativa e executiva do Movimento Comunitário do Jardim Botânico começam a organizar o planejamento comunitário para 2016.
Para atingir seus objetivos o Movimento pretende montar comissões por área de atuação. A explicação é de Rose Marques, presidente do Movimento Comunitário do Jardim Botânico. As comissões funcionarão como departamentos ligados à Secretaria Executiva, de forma que sejam autônomas na construção desse planejamento e, após aprovação de suas propostas pela diretoria, elas farão parte de planejamento integrado do Movimento. “Queremos colocar nesse planejamento não apenas o que cobraremos do poder público, mas principalmente o que poderemos fazer pela comunidade, independente da participação do poder público”, informou Rose ao blog.
As comissões deverão se organizar ao redor de temas como eventos, cultura, meio ambiente, esportes, convênios, comunicação, entre outros. Clique aqui para conhecer quais são as comissões.
Demandas para poder público já foram organizadas e encaminhadas
O Movimento, desde o início do ano, quando ainda não havia se institucionalizado, identificou um conjunto de demandas comunitárias sobre as quais foram propostas soluções. Em dois ofícios enviados ao GDF somaram-se 105 solicitações divididas por prioridade e setor.
O poder público, entretanto, não deu resposta às demandas comunitárias. Rose Marques avalia o ano de 2015 como encerrado e se organiza para que 2016 tenha outras perspectivas diante da capacidade de resposta do GDF. “Os avanços foram poucos. Conseguimos a delimitação geográfica do bairro com a portaria n.4, temos as obras de intervenção no balão da ESAF, os cones na saída da Estrada do Sol, que ajudaram o fluxo nos horários de pico. Mas os principais pedidos não foram atendidos”, reclamou Rose.
Um grande problema enfrentado pela comunidade é a dificuldade para obtenção de alvarás e habite-se. O caso se agrava para o comércio e áreas regularizadas. Rose Marques avalia que, na origem desses problemas, está a falta de uma Administração Regional própria para o Jardim Botânico.
Como participar das Comissões
Rose afirma que toda comunidade interessada poderá participar, tanto do planejamento para 2016, como efetivamente das comissões e da execução das propostas. “Nosso objetivo é envolver a comunidade na solução dos nossos problemas. Vamos deixar de lado a cultura de reclamar do poder público e tentar viabilizar, nós mesmos, as soluções.”, informou.
Para participar, o Movimento disponibilizou um formulário de inscrição, basta clicar aqui. A pessoa interessada também poderá comparecer na reunião comunitária que se realizará na próxima terça (17), às 19:30, na sede do Movimento na Estrada do Sol, no estande do Condomínio Quatro Estações, em frente ao Condomínio Ouro Vermelho 1.
Fonte: http://jardimbotanicodf.blogspot.com/2015/11/movimento-comunitario-do-jardim.html#ixzz3rN9t9ZD3
terça-feira, 29 de setembro de 2015
Projeto transforma bibliotecas públicas com uso de tecnologia
29/09/2015
Por Marina Lopes –
Quando se fala em uma biblioteca, as estantes repletas de livros e o silêncio absoluto costumam ser a primeira cena que vem à cabeça. Para ressignificar esse espaço, o CDI (Comitê para Democratização da Informática) deu início ao programa Recode, que vai estimular iniciativas de empoderamento digital em 50 bibliotecas públicas nas cinco regiões do país.
A partir do uso de tecnologia, o projeto pretende desenvolver um ambiente de inovação nas bibliotecas, permitindo que elas se tornem um espaço de convivência, onde os jovens se reúnem para experimentar ferramentas digitais que auxiliam na resolução de problemas da sua comunidade. Com patrocínio da Bill & Melinda Gates Foundation, que investiu US$ 2,3 milhões, e apoio do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas, a iniciativa prevê a distribuição de 500 novos computadores e realização de formações para bibliotecários que atuam nesses locais.
“O fato da biblioteca ser vista apenas como um espaço de leitura pode afastar as pessoas. Ela não se torna um espaço de convívio”, diz Elaine Pinheiro, diretora executiva do CDI Brasil. De acordo com ela, a biblioteca inovadora deve interagir com a comunidade, acolher a tecnologia e ter o jovem como um participante ativo. “Ele vai se apropriar da biblioteca como um espaço para criar, reinventar e convidar amigos para discutir temas”, explica.
Cada biblioteca selecionada pelo programa vai receber dez computadores, que serão espalhados pelo espaço para integrar o digital com o analógico (representado pelos livros). “Pode ter uma estação de música, um livro, um computador ou um tablet, uma roda de histórias ou palco para crianças. Ele [frequentador] vai se apropriando daquilo na medida em que precisa”, exemplifica.
Dentro do Recode, os bibliotecários irão assumir o papel de reprogramar esse espaço físico da biblioteca com o apoio da comunidade. Para auxiliar, eles participarão de formações onde serão discutidas questões de comunicação, metodologias participativas e mapeamento de parceiros locais. A ideia é que eles consigam, junto com a equipe do programa, criar novas práticas e projetos onde o uso da tecnologia possa incentivar o acesso à informação.
Os projetos de empoderamento digital para jovens criados pelas bibliotecas deverão trabalhar com uma metodologia baseada em três pilares: resolução de problemas, desenvolvimento de habilidade para o século 21 e autonomia no uso das tecnologias da informação e comunicação. “Aliar a tecnologia e a metodologia participativa ao espaço da biblioteca é um caminho muito assertivo para evoluir.”
O programa foi lançado no dia 9 de setembro, durante um evento na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, em São Paulo (SP). Atualmente está em fase de lançamento presencial nas bibliotecas e início da formação com os bibliotecários. (Porvir/ #Envolverde)
* Publicado originalmente no site Porvir.
quinta-feira, 24 de setembro de 2015
COP-21 e as dificuldades de um acordo num período conturbado
24/09/2015
“É preciso um acordo de longo prazo e com metas dos principais emissores, que são, em primeiro lugar, os países industrializados, tendo à frente os Estado Unidos; em segundo lugar, um conjunto de países intermediários, tendo à frente a China, incluídos entre eles o Brasil, além da Índia”, menciona o Secretário Executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, Luiz Pinguelli Rosa.
A 21ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas – COP-21, que será realizada entre os dias 30 de novembro e 11 de dezembro deste ano, em Paris, na França, terá “um papel semelhante ao que teve a Conferência de Kyoto”, ou seja, abrirá “um novo período de discussão sobre as questões climáticas”, diz Luiz Pinguelli Rosa, na entrevista a seguir, concedida à IHU On-Line por telefone.
Para ele, o ponto central da Conferência deve focar na elaboração de um acordo que possibilite “a redução das emissões” a partir de uma perspectiva de “eficiência energética”, e de analisar quais políticas são necessárias para uma “economia viável”.
Além da dificuldade de os países chegarem a um acordo acerca das metas a serem seguidas a partir de 2020, Pinguelli Rosa chama atenção para o fato de o novo acordo ter de emergir num “momento em que o mundo está conturbado por uma série de problemas”, desde crises e dificuldades econômicas, até a situação dos refugiados e do Estado Islâmico. “Tudo isso chama a atenção do mundo, de maneira que a Conferência do Clima acaba ocupando um papel modesto nas prioridades das grandes potências e dos países como um todo”, salienta.
O Brasil ainda não divulgou suas metas para a COP-21, mas, de acordo com o pesquisador, o país deve manter uma proposta em três níveis, como já vem fazendo nas Conferências anteriores. A primeira proposta de compromisso, explica, seria “para os países desenvolvidos, como já são os do anexo I da Convenção do Clima”; a segunda seria para um “grupo que inclui Índia, Brasil, China, países grandes e que têm certo desenvolvimento econômico e tecnológico; e um terceiro dos países menores, mais pobres e que não podem assumir compromissos muito fortes”.
Luiz Pinguelli Rosa é graduado em Física pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, mestre em Engenharia Nuclear pela COPPE/UFRJ e doutor em Física pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUCRJ. Foi Diretor da COPPE/UFRJ por quatro mandatos e é ex-presidente da Eletrobrás. Atualmente é Diretor da COPPE/UFRJ, Professor Titular do Programa de Planejamento Energético da COPPE/UFRJ, Professor do Programa de História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia da UFRJ e Secretário Executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Qual é a importância da COP-21 em relação às demais COPs, neste momento? Que aspectos são diferentes hoje em relação à época em que se propôs Kyoto, tanto em relação aos dados acerca das mudanças climáticas quanto acerca da postura dos países no sentido de tomar uma decisão de enfrentar as mudanças climáticas?
Luiz Pinguelli Rosa – A COP-21 tem um papel semelhante ao que teve a Conferência de Kyoto, porque o período iniciado com o Protocolo aprovado em Kyoto se encerra a partir da COP-21, ou seja, ela abre um novo período de discussão sobre as questões climáticas. Então, ela terá um papel de decidir sobre os compromissos dos países a partir de agora e por um longo período de tempo na direção, em primeiro lugar, da redução das emissões de gases de efeito estufa – GEE. Isso está acontecendo em um momento em que o mundo está conturbado por uma série de problemas: problemas econômicos, não totalmente resolvidos — o exemplo da Grécia chama a atenção, agora o do Brasil também, e a Europa não está em uma situação cômoda economicamente. Quem está melhor é os Estados Unidos, mas não se sabe até quando. O preço do petróleo teve grandes oscilações e também há o problema dos refugiados, o problema do Estado Islâmico, uma instabilidade política enorme no Iraque e na Líbia — países que sofreram intervenções norte-americanas ou dos países ocidentais, malsucedidas porque estão totalmente desorganizados. Na Síria também houve um estímulo à rebelião, o qual está dando péssimos resultados, inclusive com a penetração do Estado Islâmico também, tanto no Iraque quanto na Síria, que é uma radicalização absurda do islamismo. Portanto, tudo isso chama a atenção do mundo, de maneira que a Conferência do Clima acaba ocupando um papel modesto nas prioridades das grandes potências e dos países como um todo.
A exceção a isso foi a Encíclica Papal, que chamou a atenção para o problema do clima, mas mesmo ela teve um efeito passageiro: naquele momento se falou muito no assunto, mas logo depois voltou-se a omiti-lo na grande mídia e no debate político, que é o caso do Brasil, que hoje discute se a política econômica vai nessa direção em que está ou deve mudar, e as questões ligadas à corrupção — em particular na Petrobras e nas empreiteiras que tinham contratos fraudulentos. E o clima também, aqui no Brasil, não ocupa uma posição de destaque, apesar da importância da COP-21.
IHU On-Line – Alguns estimam que a COP-21 não formulará um acordo para substituir Kyoto, mas antes apresentará um panorama acerca de com quais metas os países aceitariam se comprometer. Qual a sua expectativa em relação a um possível acordo? Essa tende a ser mais uma conferência em que não se chegará a um acordo? O que fará a COP-21 ser bem-sucedida?
Luiz Pinguelli Rosa – Acredito que o objetivo é o acordo. Pode não se chegar a ele, mas isso será muito ruim. Embora o papel de cada país seja o de apresentar metas próprias — como o Brasil já fez na Conferência Copenhague, na COP-15, quando se comprometeu em reduzir aproximadamente 36% das emissões no ano 2020. Mas isso não é o suficiente, é preciso um acordo mais profundo, de longo prazo e com metas dos principais emissores, que são, em primeiro lugar, os países industrializados, tendo à frente os Estados Unidos; em segundo lugar, um conjunto de países intermediários, tendo à frente a China, incluídos entre eles o Brasil também, além da Índia — mas a China é o principal emissor desse grupo. Enfim, faremos o possível, mas seria muito bom que se chegasse a um acordo válido para todos os países.
IHU On-Line – Quais deverão ser os pontos mais difíceis de negociação?
Luiz Pinguelli Rosa – Chegar a um acordo sobre o quanto será reduzido das emissões e quais são as políticas para uma economia viável. Nós fizemos um trabalho aqui, coordenado pelo Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, do qual sou o secretário, e com participação principalmente da COP, mas também de várias representações de setores empresariais, sindicais, das Organizações Não Governamentais e de Universidades, em que demonstramos, com um modelo e cenários para o futuro, que é possível o crescimento econômico com geração de emprego junto com a redução das emissões dos gases de efeito estufa. Ou seja, uma economia verde para o Brasil.
Mas o problema não é o Brasil, é o mundo todo. Não há solução só para um país para esse problema, pelo menos no terreno da mitigação das emissões. É preciso que o mundo inteiro coparticipe dentro de uma política que evite um aumento de temperatura global muito grande, acima de 2ºC — já se considera isso difícil de acontecer —, mas que pelo menos fique não muito acima de 2ºC de aumento da temperatura global ao fim desse século.
IHU On-Line – Em que consiste essa proposta de Economia Verde para o Brasil?
Luiz Pinguelli Rosa – Medidas como: eficiência energética, utilização de energia eólica e solar, de hidroeletricidade, de biocombustíveis — especialmente do etanol e do bagaço da cana-de-açúcar — e redução do consumo de combustíveis fósseis, como os derivados de petróleo — gasolina, diesel, óleo, gás e carvão mineral —, que são os combustíveis fósseis responsáveis pela maior parte das emissões. O Brasil tem outro papel que é a redução do desmatamento, que está sendo bem-sucedida: houve uma redução significativa do desmatamento, principalmente na Amazônia.
IHU On-Line – Como vê os acordos bilaterais entre China e EUA para reduzir emissões?
Luiz Pinguelli Rosa – Acho ótimo que haja acordos bilaterais; não bastam, mas ajudam, particularmente entre os dois “cabeças de série” — Estados Unidos e China —, que são os maiores emissores do mundo.
IHU On-Line – O senhor já tem algum palpite ou informação acerca de quais serão as metas brasileiras para a COP-21?
Luiz Pinguelli Rosa – Não. Estamos cobrando isso do governo. Houve algumas reuniões, o Brasil está levando uma proposta semelhante ao que falei, de ter três níveis de compromisso: o primeiro para os países desenvolvidos, como já são os do anexo I da Convenção do Clima; um segundo grupo que inclui Índia, Brasil, China, países grandes e que têm certo desenvolvimento econômico e tecnológico; e um terceiro dos países menores, mais pobres e que não podem assumir compromissos muito fortes. Tentar, entretanto, ter compromissos nesses três níveis.
IHU On-Line – Com que tipo de metas o Brasil teria condições de se comprometer na COP-21? Elas dizem respeito a quais setores?
Luiz Pinguelli Rosa – Já está comprometido com as metas de Copenhague, o problema é a partir de 2020; até 2020 o Brasil já tem metas oficiais. E daí para frente é preciso, creio, usar algo do tipo desse projeto de Economia Verde que o Fórum, inclusive, apresentará, em uma reunião com a Ministra do Meio Ambiente [Izabella Teixeira] nas próximas semanas.
IHU On-Line – A crise atual está impactando ou deve impactar numa possível revisão das metas brasileiras?
Luiz Pinguelli Rosa – Está tendo, não na reversão das metas, mas sim na discussão sobre a questão do clima, porque essa crise acaba tomando toda a atenção do governo.
IHU On-Line – Quais os principais resultados da sua pesquisa sobre as possíveis consequências econômicas e sociais das mudanças climáticas para o futuro?
Luiz Pinguelli Rosa – A mudança climática tem efeito negativo para todos os países e o Brasil não escapa. Poderá ter grandes fenômenos climáticos, muito intensos, como alguns indícios que estejam ocorrendo, principalmente no Sul do Brasil, além de grandes inundações e grandes secas. A produção agrícola pode ser muito afetada, pois o Brasil é um grande celeiro de atividade agrícola e pecuária, e que poderá ser muito prejudicado com a mudança do clima.
IHU On-Line – Que medidas devem ser tomadas em setores específicos, como o de energia?
Luiz Pinguelli Rosa – O Brasil, no setor de energia, está no bom caminho até certo ponto, ou seja, nós usamos as energias renováveis mais do que qualquer outro país do mundo. Entretanto, recentemente, com o problema da hidroeletricidade, nós aumentamos muito a emissão de gases na geração elétrica, usando usinas termoelétricas que, aliás, são muitos ineficientes — as nossas em particular. E, também, no caso do combustível, porque houve uma redução do preço relativo da gasolina em relação ao etanol e acabou desorganizando a produção de cana-de-açúcar, do etanol e do bagaço, que também fizeram aumentar o consumo de gasolina na contramão da história, na contramão da redução das emissões, tanto no setor elétrico quanto no transporte. Isso, neste momento, tem sido muito ruim.
IHU On-Line – Recentemente o senhor fez uma apresentação no Senado acerca da sua pesquisa sobre possíveis medidas a serem tomadas para enfrentar as mudanças climáticas. Quais suas impressões sobre a receptividade política a esse debate?
Luiz Pinguelli Rosa – O Senado foi muito participativo. Havia muitas lideranças dos Senadores presentes e foi uma discussão bastante intensa. Para os Senadores presentes, o interesse foi grande, mas não sei como isso se dá no Senado, em particular na Câmara também, onde houve outro seminário muito pouco participativo, ao contrário do Senado.
IHU On-Line – Faltando poucos meses para a COP-21, qual deve ser o foco central dos países que irão participar da COP-21?
Luiz Pinguelli Rosa – A redução das emissões. Para isso, usando mais energia renovável, mais eficiência energética e usando menos combustível fóssil. (IHU On-Line/ #Envolverde)
* Por Patricia Fachin, do IHU On-Line.
A 21ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas – COP-21, que será realizada entre os dias 30 de novembro e 11 de dezembro deste ano, em Paris, na França, terá “um papel semelhante ao que teve a Conferência de Kyoto”, ou seja, abrirá “um novo período de discussão sobre as questões climáticas”, diz Luiz Pinguelli Rosa, na entrevista a seguir, concedida à IHU On-Line por telefone.
Para ele, o ponto central da Conferência deve focar na elaboração de um acordo que possibilite “a redução das emissões” a partir de uma perspectiva de “eficiência energética”, e de analisar quais políticas são necessárias para uma “economia viável”.
Além da dificuldade de os países chegarem a um acordo acerca das metas a serem seguidas a partir de 2020, Pinguelli Rosa chama atenção para o fato de o novo acordo ter de emergir num “momento em que o mundo está conturbado por uma série de problemas”, desde crises e dificuldades econômicas, até a situação dos refugiados e do Estado Islâmico. “Tudo isso chama a atenção do mundo, de maneira que a Conferência do Clima acaba ocupando um papel modesto nas prioridades das grandes potências e dos países como um todo”, salienta.
O Brasil ainda não divulgou suas metas para a COP-21, mas, de acordo com o pesquisador, o país deve manter uma proposta em três níveis, como já vem fazendo nas Conferências anteriores. A primeira proposta de compromisso, explica, seria “para os países desenvolvidos, como já são os do anexo I da Convenção do Clima”; a segunda seria para um “grupo que inclui Índia, Brasil, China, países grandes e que têm certo desenvolvimento econômico e tecnológico; e um terceiro dos países menores, mais pobres e que não podem assumir compromissos muito fortes”.
Luiz Pinguelli Rosa é graduado em Física pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, mestre em Engenharia Nuclear pela COPPE/UFRJ e doutor em Física pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUCRJ. Foi Diretor da COPPE/UFRJ por quatro mandatos e é ex-presidente da Eletrobrás. Atualmente é Diretor da COPPE/UFRJ, Professor Titular do Programa de Planejamento Energético da COPPE/UFRJ, Professor do Programa de História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia da UFRJ e Secretário Executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Qual é a importância da COP-21 em relação às demais COPs, neste momento? Que aspectos são diferentes hoje em relação à época em que se propôs Kyoto, tanto em relação aos dados acerca das mudanças climáticas quanto acerca da postura dos países no sentido de tomar uma decisão de enfrentar as mudanças climáticas?
Luiz Pinguelli Rosa – A COP-21 tem um papel semelhante ao que teve a Conferência de Kyoto, porque o período iniciado com o Protocolo aprovado em Kyoto se encerra a partir da COP-21, ou seja, ela abre um novo período de discussão sobre as questões climáticas. Então, ela terá um papel de decidir sobre os compromissos dos países a partir de agora e por um longo período de tempo na direção, em primeiro lugar, da redução das emissões de gases de efeito estufa – GEE. Isso está acontecendo em um momento em que o mundo está conturbado por uma série de problemas: problemas econômicos, não totalmente resolvidos — o exemplo da Grécia chama a atenção, agora o do Brasil também, e a Europa não está em uma situação cômoda economicamente. Quem está melhor é os Estados Unidos, mas não se sabe até quando. O preço do petróleo teve grandes oscilações e também há o problema dos refugiados, o problema do Estado Islâmico, uma instabilidade política enorme no Iraque e na Líbia — países que sofreram intervenções norte-americanas ou dos países ocidentais, malsucedidas porque estão totalmente desorganizados. Na Síria também houve um estímulo à rebelião, o qual está dando péssimos resultados, inclusive com a penetração do Estado Islâmico também, tanto no Iraque quanto na Síria, que é uma radicalização absurda do islamismo. Portanto, tudo isso chama a atenção do mundo, de maneira que a Conferência do Clima acaba ocupando um papel modesto nas prioridades das grandes potências e dos países como um todo.
A exceção a isso foi a Encíclica Papal, que chamou a atenção para o problema do clima, mas mesmo ela teve um efeito passageiro: naquele momento se falou muito no assunto, mas logo depois voltou-se a omiti-lo na grande mídia e no debate político, que é o caso do Brasil, que hoje discute se a política econômica vai nessa direção em que está ou deve mudar, e as questões ligadas à corrupção — em particular na Petrobras e nas empreiteiras que tinham contratos fraudulentos. E o clima também, aqui no Brasil, não ocupa uma posição de destaque, apesar da importância da COP-21.
IHU On-Line – Alguns estimam que a COP-21 não formulará um acordo para substituir Kyoto, mas antes apresentará um panorama acerca de com quais metas os países aceitariam se comprometer. Qual a sua expectativa em relação a um possível acordo? Essa tende a ser mais uma conferência em que não se chegará a um acordo? O que fará a COP-21 ser bem-sucedida?
Luiz Pinguelli Rosa – Acredito que o objetivo é o acordo. Pode não se chegar a ele, mas isso será muito ruim. Embora o papel de cada país seja o de apresentar metas próprias — como o Brasil já fez na Conferência Copenhague, na COP-15, quando se comprometeu em reduzir aproximadamente 36% das emissões no ano 2020. Mas isso não é o suficiente, é preciso um acordo mais profundo, de longo prazo e com metas dos principais emissores, que são, em primeiro lugar, os países industrializados, tendo à frente os Estados Unidos; em segundo lugar, um conjunto de países intermediários, tendo à frente a China, incluídos entre eles o Brasil também, além da Índia — mas a China é o principal emissor desse grupo. Enfim, faremos o possível, mas seria muito bom que se chegasse a um acordo válido para todos os países.
IHU On-Line – Quais deverão ser os pontos mais difíceis de negociação?
Luiz Pinguelli Rosa – Chegar a um acordo sobre o quanto será reduzido das emissões e quais são as políticas para uma economia viável. Nós fizemos um trabalho aqui, coordenado pelo Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, do qual sou o secretário, e com participação principalmente da COP, mas também de várias representações de setores empresariais, sindicais, das Organizações Não Governamentais e de Universidades, em que demonstramos, com um modelo e cenários para o futuro, que é possível o crescimento econômico com geração de emprego junto com a redução das emissões dos gases de efeito estufa. Ou seja, uma economia verde para o Brasil.
Mas o problema não é o Brasil, é o mundo todo. Não há solução só para um país para esse problema, pelo menos no terreno da mitigação das emissões. É preciso que o mundo inteiro coparticipe dentro de uma política que evite um aumento de temperatura global muito grande, acima de 2ºC — já se considera isso difícil de acontecer —, mas que pelo menos fique não muito acima de 2ºC de aumento da temperatura global ao fim desse século.
IHU On-Line – Em que consiste essa proposta de Economia Verde para o Brasil?
Luiz Pinguelli Rosa – Medidas como: eficiência energética, utilização de energia eólica e solar, de hidroeletricidade, de biocombustíveis — especialmente do etanol e do bagaço da cana-de-açúcar — e redução do consumo de combustíveis fósseis, como os derivados de petróleo — gasolina, diesel, óleo, gás e carvão mineral —, que são os combustíveis fósseis responsáveis pela maior parte das emissões. O Brasil tem outro papel que é a redução do desmatamento, que está sendo bem-sucedida: houve uma redução significativa do desmatamento, principalmente na Amazônia.
IHU On-Line – Como vê os acordos bilaterais entre China e EUA para reduzir emissões?
Luiz Pinguelli Rosa – Acho ótimo que haja acordos bilaterais; não bastam, mas ajudam, particularmente entre os dois “cabeças de série” — Estados Unidos e China —, que são os maiores emissores do mundo.
IHU On-Line – O senhor já tem algum palpite ou informação acerca de quais serão as metas brasileiras para a COP-21?
Luiz Pinguelli Rosa – Não. Estamos cobrando isso do governo. Houve algumas reuniões, o Brasil está levando uma proposta semelhante ao que falei, de ter três níveis de compromisso: o primeiro para os países desenvolvidos, como já são os do anexo I da Convenção do Clima; um segundo grupo que inclui Índia, Brasil, China, países grandes e que têm certo desenvolvimento econômico e tecnológico; e um terceiro dos países menores, mais pobres e que não podem assumir compromissos muito fortes. Tentar, entretanto, ter compromissos nesses três níveis.
IHU On-Line – Com que tipo de metas o Brasil teria condições de se comprometer na COP-21? Elas dizem respeito a quais setores?
Luiz Pinguelli Rosa – Já está comprometido com as metas de Copenhague, o problema é a partir de 2020; até 2020 o Brasil já tem metas oficiais. E daí para frente é preciso, creio, usar algo do tipo desse projeto de Economia Verde que o Fórum, inclusive, apresentará, em uma reunião com a Ministra do Meio Ambiente [Izabella Teixeira] nas próximas semanas.
IHU On-Line – A crise atual está impactando ou deve impactar numa possível revisão das metas brasileiras?
Luiz Pinguelli Rosa – Está tendo, não na reversão das metas, mas sim na discussão sobre a questão do clima, porque essa crise acaba tomando toda a atenção do governo.
IHU On-Line – Quais os principais resultados da sua pesquisa sobre as possíveis consequências econômicas e sociais das mudanças climáticas para o futuro?
Luiz Pinguelli Rosa – A mudança climática tem efeito negativo para todos os países e o Brasil não escapa. Poderá ter grandes fenômenos climáticos, muito intensos, como alguns indícios que estejam ocorrendo, principalmente no Sul do Brasil, além de grandes inundações e grandes secas. A produção agrícola pode ser muito afetada, pois o Brasil é um grande celeiro de atividade agrícola e pecuária, e que poderá ser muito prejudicado com a mudança do clima.
IHU On-Line – Que medidas devem ser tomadas em setores específicos, como o de energia?
Luiz Pinguelli Rosa – O Brasil, no setor de energia, está no bom caminho até certo ponto, ou seja, nós usamos as energias renováveis mais do que qualquer outro país do mundo. Entretanto, recentemente, com o problema da hidroeletricidade, nós aumentamos muito a emissão de gases na geração elétrica, usando usinas termoelétricas que, aliás, são muitos ineficientes — as nossas em particular. E, também, no caso do combustível, porque houve uma redução do preço relativo da gasolina em relação ao etanol e acabou desorganizando a produção de cana-de-açúcar, do etanol e do bagaço, que também fizeram aumentar o consumo de gasolina na contramão da história, na contramão da redução das emissões, tanto no setor elétrico quanto no transporte. Isso, neste momento, tem sido muito ruim.
IHU On-Line – Recentemente o senhor fez uma apresentação no Senado acerca da sua pesquisa sobre possíveis medidas a serem tomadas para enfrentar as mudanças climáticas. Quais suas impressões sobre a receptividade política a esse debate?
Luiz Pinguelli Rosa – O Senado foi muito participativo. Havia muitas lideranças dos Senadores presentes e foi uma discussão bastante intensa. Para os Senadores presentes, o interesse foi grande, mas não sei como isso se dá no Senado, em particular na Câmara também, onde houve outro seminário muito pouco participativo, ao contrário do Senado.
IHU On-Line – Faltando poucos meses para a COP-21, qual deve ser o foco central dos países que irão participar da COP-21?
Luiz Pinguelli Rosa – A redução das emissões. Para isso, usando mais energia renovável, mais eficiência energética e usando menos combustível fóssil. (IHU On-Line/ #Envolverde)
* Por Patricia Fachin, do IHU On-Line.
terça-feira, 22 de setembro de 2015
Uma nova agenda de desenvolvimento sustentável
21/09/2015
Cerca de 150 líderes mundiais devem participar da Cúpula, que acontece na sede da ONU em Nova York, com o objetivo de adotar uma nova agenda de desenvolvimento sustentável.

Mais de 150 líderes mundiais são esperados para participar na Cúpula das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, que acontece entre 25 e 27 de setembro na sede da ONU em Nova York, para adotar formalmente uma nova agenda de desenvolvimento sustentável. Esta agenda servirá como plataforma de ação da comunidade internacional e dos governos nacionais na promoção da prosperidade comum e do bem-estar para todos ao longo dos próximos 15 anos.
Em uma declaração emitida após o consenso alcançado pelos Estados-membros sobre o documento final da Cúpula, em 2 de agosto, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse: “[O acordo] abrange uma agenda universal, transformadora e integrada que anuncia um momento decisivo histórico para nosso mundo”.
“Esta é a Agenda do Povo, um plano de ação para acabar com a pobreza em todas as suas dimensões, de forma irreversível, em todos os lugares, não deixando ninguém para trás”, disse.
Acordada pelos 193 Estados-membros da ONU, a agenda proposta, intitulada “Transformando Nosso Mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”, consiste de uma Declaração, 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e 169 metas, uma seção sobre meios de implementação e uma renovada parceria mundial, além de um mecanismo para avaliação e acompanhamento.
A agenda é única em seu apelo por ação a todos os países – pobres, ricos e de renda média. Ela reconhece que acabar com a pobreza deve caminhar lado a lado com um plano que promova o crescimento econômico e responda a uma gama de necessidades sociais, incluindo educação, saúde, proteção social e oportunidades de trabalho, ao mesmo tempo em que aborda as mudanças climáticas e proteção ambiental. Ela também cobre questões como desigualdade, infraestrutura, energia, consumo, biodiversidade, oceanos e industrialização.
A nova agenda de desenvolvimento sustentável se enquadra no êxito do resultado da Conferência sobre o Financiamento para o Desenvolvimento, recentemente concluída em Adis Abeba (Etiópia). Espera-se que ela também afete positivamente as negociações sobre um novo acordo climático significativo e universal, que acontecerá em Paris (França), em dezembro deste ano.
Processo Intergovernamental rumo à Ação Global para as Pessoas e o Planeta
Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), que produziram o mais bem-sucedido movimento antipobreza da História, serve como um trampolim para a nova agenda de desenvolvimento sustentável que será adotada por líderes mundiais.
Desde a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento de 1992 – a Cúpula da Terra – no Rio de Janeiro, o mundo identificou um novo caminho para o bem-estar humano, o do desenvolvimento sustentável. O conceito de desenvolvimento sustentável, apresentado na Agenda 21, reconhece que o desenvolvimento econômico deve ser equilibrado com um crescimento que responda às necessidades das pessoas e proteja o meio ambiente.
A nova agenda de desenvolvimento sustentável baseia-se no resultado da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável de 2002, da Cúpula de 2010 sobre os ODM, o resultado da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável de 2012 (Rio+20) e os pontos de vista de pessoas em todo o mundo.
Reconhecendo os sucessos dos ODM, os países concordaram sobre “O futuro que Queremos” – o documento final do Rio+20 – para estabelecer um grupo de trabalho aberto para elaborar um conjunto de metas de desenvolvimento sustentável para consideração e ação apropriada. Depois de mais de um ano de deliberações consultivas abrangentes e intensivas, o Grupo de Trabalho Aberto propôs 17 objetivos específicos com 169 metas associadas.
As negociações intergovernamentais sobre a composição das metas durou mais de dois anos e incluiu numerosas contribuições da sociedade civil e outras partes interessadas. As consultas inclusivas e transparentes levaram ao alcance de um consenso em 2 de agosto do documento final para a nova agenda de desenvolvimento sustentável.
A nova agenda será oficialmente adotada pelos líderes mundiais na Cúpula das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, que acontece nos dias 25, 26 e 27 de setembro de 2015.
Acesse aqui a página especial sobre este assunto.

(ONU Brasil/ #Envolverde)
* Publicado originalmente no site ONU Brasil.
Mais de 150 líderes mundiais são esperados para participar na Cúpula das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, que acontece entre 25 e 27 de setembro na sede da ONU em Nova York, para adotar formalmente uma nova agenda de desenvolvimento sustentável. Esta agenda servirá como plataforma de ação da comunidade internacional e dos governos nacionais na promoção da prosperidade comum e do bem-estar para todos ao longo dos próximos 15 anos.
Em uma declaração emitida após o consenso alcançado pelos Estados-membros sobre o documento final da Cúpula, em 2 de agosto, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse: “[O acordo] abrange uma agenda universal, transformadora e integrada que anuncia um momento decisivo histórico para nosso mundo”.
“Esta é a Agenda do Povo, um plano de ação para acabar com a pobreza em todas as suas dimensões, de forma irreversível, em todos os lugares, não deixando ninguém para trás”, disse.
Acordada pelos 193 Estados-membros da ONU, a agenda proposta, intitulada “Transformando Nosso Mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”, consiste de uma Declaração, 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e 169 metas, uma seção sobre meios de implementação e uma renovada parceria mundial, além de um mecanismo para avaliação e acompanhamento.
A agenda é única em seu apelo por ação a todos os países – pobres, ricos e de renda média. Ela reconhece que acabar com a pobreza deve caminhar lado a lado com um plano que promova o crescimento econômico e responda a uma gama de necessidades sociais, incluindo educação, saúde, proteção social e oportunidades de trabalho, ao mesmo tempo em que aborda as mudanças climáticas e proteção ambiental. Ela também cobre questões como desigualdade, infraestrutura, energia, consumo, biodiversidade, oceanos e industrialização.
A nova agenda de desenvolvimento sustentável se enquadra no êxito do resultado da Conferência sobre o Financiamento para o Desenvolvimento, recentemente concluída em Adis Abeba (Etiópia). Espera-se que ela também afete positivamente as negociações sobre um novo acordo climático significativo e universal, que acontecerá em Paris (França), em dezembro deste ano.
Processo Intergovernamental rumo à Ação Global para as Pessoas e o Planeta
Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), que produziram o mais bem-sucedido movimento antipobreza da História, serve como um trampolim para a nova agenda de desenvolvimento sustentável que será adotada por líderes mundiais.
Desde a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento de 1992 – a Cúpula da Terra – no Rio de Janeiro, o mundo identificou um novo caminho para o bem-estar humano, o do desenvolvimento sustentável. O conceito de desenvolvimento sustentável, apresentado na Agenda 21, reconhece que o desenvolvimento econômico deve ser equilibrado com um crescimento que responda às necessidades das pessoas e proteja o meio ambiente.
A nova agenda de desenvolvimento sustentável baseia-se no resultado da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável de 2002, da Cúpula de 2010 sobre os ODM, o resultado da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável de 2012 (Rio+20) e os pontos de vista de pessoas em todo o mundo.
Reconhecendo os sucessos dos ODM, os países concordaram sobre “O futuro que Queremos” – o documento final do Rio+20 – para estabelecer um grupo de trabalho aberto para elaborar um conjunto de metas de desenvolvimento sustentável para consideração e ação apropriada. Depois de mais de um ano de deliberações consultivas abrangentes e intensivas, o Grupo de Trabalho Aberto propôs 17 objetivos específicos com 169 metas associadas.
As negociações intergovernamentais sobre a composição das metas durou mais de dois anos e incluiu numerosas contribuições da sociedade civil e outras partes interessadas. As consultas inclusivas e transparentes levaram ao alcance de um consenso em 2 de agosto do documento final para a nova agenda de desenvolvimento sustentável.
A nova agenda será oficialmente adotada pelos líderes mundiais na Cúpula das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, que acontece nos dias 25, 26 e 27 de setembro de 2015.
Acesse aqui a página especial sobre este assunto.
(ONU Brasil/ #Envolverde)
* Publicado originalmente no site ONU Brasil.
segunda-feira, 21 de setembro de 2015
ONU premia indígenas brasileiros por proteção ao meio ambiente
21 set 2015
14h50
Entre os ganhadores figuram grupos da Colômbia, Bolívia, Brasil, Belize e Honduras, que receberão um prêmio de US$ 10 mil e que poderão enviar representantes a uma reunião comunitária que será realizada durante a cúpula sobre mudança climática de Paris em dezembro.
"Os ganhadores deste prêmio Equator são um pequeno grupo de projetos e iniciativas inspiradoras ao redor do mundo. São um pequeno exemplo da grande quantidade de iniciativas que estão dando certo", disse em entrevista coletiva o responsável de Mudança Climática das Nações Unidas, Christiana Figueres.
No anúncio dos 21 premiados participou também, entre outros, o ator americano Alec Baldwin, que colabora habitualmente com a ONU em distintas iniciativas.
Os dois premiados do Brasil são o Instituto Raoni, uma organização fundada pelo povo indígena Kayapó que protegeu 2,5 milhões de hectares de floresta utilizando inovadoras campanhas.
Junto a ele, foi agraciado o Movimento Ipereg Ayu do povo Munduruku que bloqueou a construção de uma represa que teria submergido seus territórios.
Na Colômbia, a organização reconheceu o trabalho do povo Inga ao recuperar 22.283 hectares de território no qual durante décadas operaram guerrilhas, paramilitares e narcotraficantes, pondo em perigo o meio ambiente.
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), que entrega os prêmios, destacou que 17,5 mil desses hectares foram protegidos como lugar "sagrado".
Baldwin, na mesma entrevista coletiva, quis transmitir suas "mais sinceras felicitações ao povo Inga" por sua luta.
"As florestas e a fauna são protegidos, as paisagens administrados para dar segurança de alimento e água, se achem postos de trabalho e se reforça à comunidade local", destacou a administradora do Pnud, Helen Clark.
Entre os ganhadores, 21 no total, figuram também iniciativas em países como China, Afeganistão, a República Democrática do Congo ou Indonésia.
http://noticias.terra.com.br/ciencia/onu-premia-indigenas-brasileiros-por-protecao-ao-meio-ambiente,8459c236365ffe4eea441de38cdf9e4e1eo0qfwl.html
Aposentado cuida do meio ambiente plantando árvores no Paraná
Por Redação Yahoo! Brasil | Agência Brasil
(Foto: Getty Images)Na data em que se comemora o Dia da Árvore, neste 21 de abril, um aposentado de Paranavaí, município do noroeste do Paraná, dá exemplo de conscientização e cuidado com o meio ambiente. Desde 2001, Osvaldo Oliveira coleciona árvores e já tem cerca 700 exemplares de 106 espécies diferentes.
Ele conta que é eletrotécnico e durante o tempo em que trabalhou para a concessionária de energia elétrica do estado, na inspeção de linhas de transmissão, viu diversas áreas de florestas e nascentes de água serem extintas, ou pela especulação imobiliária ou pelas plantações de cana. “Fico indignado com a maneira com que as pessoas tratam o meio ambiente. E fiquei pensando: tenho que fazer alguma coisa. Já que todo mundo corta, então vou fazer o contrário: vou plantar”.
A chácara Recanto Peroba Rosa tem 5 mil metros quadrados e para irrigar o bosque, Osvaldo fez uma parceria com a empresa instalada no sítio vizinho, de captação da água da chuva. Toda a água que atinge o pátio da empresa é direcionada a valetas cavadas entre as árvores.
“Aprendi que o que faz com que o ar se torne mais fresco é água, e a única coisa que segura água no ar de forma natural é árvore. Então, se as pessoas querem um ambiente mais úmido, com mais qualidade de vida, têm que plantar árvores”, disse.
Osvaldo conta ainda que sempre mantém mudas para doar a pessoas que o procuram e que é possível entrar em contato pela página da chácara no Facebook. “Meu interesse é estimular o debate sobre o assunto, fazer com que as pessoas gostem da ideia e também plantem árvores, melhorando a qualidade do meio ambiente”, disse.
Apesar de exemplos como o de Osvaldo, pesquisa recente conduzida pela Universidade de Yale, em Connecticut, nos Estados Unidos, mostrou que o número total de árvores no planeta caiu 46% desde o princípio da civilização. O estudo indica que há mais de 3 trilhões de árvores em todo o mundo.
Pesquisadores de 15 países colaboraram com o estudo, que foi publicado na revista Nature.
As maiores densidades foram encontradas nas florestas boreais, onde estão 24% das árvores do planeta, como as regiões subárticas: Rússia, Escandinávia e América do Norte. Mas as maiores áreas florestais, segundo o estudo, ficam nos trópicos, com 43% das árvores. Mais 22% estão em zonas temperadas.
Os pesquisadores descobriram que o clima pode ajudar a prever a densidade de árvores na maioria dos biomas. De acordo com o levantamento, nas zonas mais úmidas, por exemplo, mais árvores são capazes de crescer. No entanto, os efeitos positivos da umidade foram invertidos em algumas regiões, porque as pessoas normalmente preferem as áreas úmidas para se instalar porque são produtivas para a agricultura.
O estudo mostrou também que a densidade de árvores geralmente cai com o aumento da população e que o desmatamento, as mudanças no uso da terra e o manejo florestal são responsáveis por uma perda de mais de 15 bilhões de árvores a cada ano.
https://br.noticias.yahoo.com/aposentado-cuida-do-meio-ambiente-plantando-%C3%A1rvores-no-paran%C3%A1-104903769.html
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