terça-feira, 30 de outubro de 2012

Declame para Drummond


O projeto Declame para Drummond está realizando durante o mês de outubro de 2012 vários eventos, saraus, intervenções para distribuir os poemas autorais enviados para celebrar os 110 anos de Drummond. A comemoração no Rio de Janeiro será no dia 31 de outubro – dia do aniversário do poeta – na estátua de Drummond – próximo ao Forte de Copacabana.
Venha e Declame para Drummond!
SOBRE O PROJETO
Imagine encontrar um poema – todo arrumadinho – no meio do caminho para o trabalho ou para casa... essa surpresa se repetirá centenas de vezes neste mês de outubro pelo Brasil, por Portugal e por onde mais houver pessoas dispostas a embelezar sua cidade com poesia em homenagem ao aniversário do poeta Carlos Drummond de Andrade.

O projeto Declame para Drummond 2012 é um intercâmbio de poesia autoral em homenagem ao poeta que completaria 110 anos no dia 31 de outubro deste ano. O coletivo, formado - coincidentemente - por 110 poetas, distribuirá milhares de poemas em suas cidades para que sejam encontrados “no meio do caminho” de algum ilustre desconhecido. O Declame para Drummond é uma iniciativa da poeta e produtora cultural independente Marina Mara em parceria com poetas de várias regiões do país e também de Portugal.
O coletivo se formou a partir de um anúncio via redes sociais e em pouco tempo já eram dezenas de poetas (dos bons) aderindo e apresentando sua poesia para o nosso vasto mundo, fazendo-se cumprir o papel social da arte poeticamente. Quem quiser distribuir os poemas em suas cidades deverão acessar o www.marinamara.com.br e imprimir os textos devidamente identificados com o nome do projeto e uma caricatura do poeta Carlos Drummond de Andrade feita pelo mestre Chico Caruso, que carinhosamente abraçou o projeto.

Além de mostrar que a poesia – e nossos poetas - estão bem vivos, o projeto também chama a atenção para a necessidade de consumir poesia em nossa sociedade atual. Segundo a idealizadora do projeto, “o Declame para Drummond, apesar ser uma homenagem ao grande poeta imortal, tem também como objetivo disseminar os poemas autorais de nossos poetas vivos, muitas vezes esquecidos pela nossa sociedade e pelo mercado literário”.
A edição de 2010 realizou um sarau aberto com a participação de vários poetas, da família de Drummond, além do público que declamou próximo à sua estátua na praia de Copacabana – RJ. Nessa edição, uma estrutura com mil poemas enviados de todo o Brasil foi instalada no local – era só escolher e declamar – leia mais no www.marinamara.com.br.
Declame para Drummond em sua cidade - distribua poesia.


COLETIVO DECLAME PARA DRUMMOND 2012
A. Gianello – Martinópolis – SP
Afonso Caramano - Jaú – SP
Alberico Manoel dos Santos - Salvador – BA
Alen Guimarães - Brasília - DF
Alex Moura - Pau dos Ferros – RN
Alex Souza Magalhães - Porto Ferreira – SP
Almandrade - Salvador – BA
Ana Rosenrot – Jacareí - São Paulo
André L. Soares - Guarapari – ES
Andréa dos Santos – Brasília – DF
Angélica Torres - Brasília - DF
Anna Maria Ayres – Poços de Caldas – MG
Antonio César – Sinop – MT
Antônio de Pádua Elias de Sousa – Formiga – MG
Apollo Mendes - Santa Luzia – MG
Arlete Trentini dos Santos - Gaspar – SC
Artur Cavalcante – Brasília – DF
Bárbara Leite - São Paulo - SP (Politeama)
Beth Jardim - Taguatinga - DF (Tribo das Artes)
Bianca Garcia - Rio de Janeiro – RJ
Brittox - São Paulo – SP
Bruno Bento - Teófilo Otoni – MG (Mucury Cultural)
Carla Menegaz - Porto Alegre – RS
Carla Schuch - Porto Alegre – RS
Caroline Sá - Conceição da Barra – ES
Clau Monteiro – Brasília – DF
Cris Dakinis - São Pedro da Aldeia – RJ
Cristiane Sobral – Brasília – DF
Dimythryus - São Paulo – SP
Dinorá C. Cançado - Taguatinga- DF (Biblioteca Dirina Nowill)
Edih Longo – São Paulo – SP
Edinar Corradini – Teresópolis – RJ
Elias Antunes - Taguatinga-DF
Elicio Pontes - Brasília – DF
Fabiana Ventura - Botucatu – SP
Fernando Luiz dos Santos - Botucatu – SP
Francisco César - Campo Grande – MS
Franklin Augusto Nunes - São José do Egito – PE
Geraldo José de Oliveira - Brasília - DF
Geraldo Trombin - Americana – SP
Gery Almeida - Diadema – SP
Giovani Iemini - Brasília - DF (Bar do Escritor)
Henrique Miranda – Rio de Janeiro – RJ
Igor Baseggio - Brasília – DF
Ilda Maria Costa Brasil - Porto Alegre – RS
Ingrit Setter - Mandaguari – PR
Isabel C S Vargas – Pelotas – RS
Jacob Miguel – Rio de Janeiro – RJ
João Pinho - Belém-PA
Joãozinho da Vila – Brasília – DF
Joaquim Caixeta – Brasília – DF
Jorge Amâncio - Brasília - DF (Poemação)
José Carlos Peliano – Brasília – DF
José Guerreiro – Portugal
José Henrique Calazans - Rio de Janeiro – RJ
Journey – Alagoinhas – BA
Julio Ribeiro Simões - Juiz de Fora – MG
Jussára C. Godinho – Caxias do Sul – RS
Juvenal Payayá – Salvador - BA
Keilla Ribeiro – São Paulo – SP
Laís Evelyne - Januária – MG
Lari Germano - Santo André - SP
Lenilson Xavier - Dom Viçoso - MG
Leônidas Grego – Salvador – BA
Lília Diniz – Brasília – DF
Lilly Araújo – Anápolis – GO
Lourdes Limeira - Paraíba – PB
Lucas Gibson - Rio de Janeiro – RJ
Luis Henrique Leão – SC
Luiz Felipe Vitelli - Planaltina - DF (Tribo das Artes)
Mano Melo – RJ ( Sarau Mano a Mano)
Marcos Avelino Martins – Goiânia – GO
Marcus de Bessa – Taguatinga - DF
Marina Gentile - Salvador – BA
Marina Mara – DF/RJ (Sarau Sanitário)
Marisa Vieira – Rio de Janeiro - RJ
Mauricio Antônio Veloso Duarte - Niterói - RJ
Maycon Batestin - São Paulo (Chá e Poesia)
Mirianne de Souza Costa - Campo Grande - MS
Mônica Lobo – Niterói - RJ
Nevinho Alarcão – Brasília – DF
Noélia Ribeiro - Brasília - DF
Paola Giovana – Belo Horizonte – MG
Paulinho Moska – Rio de Janeiro - RJ
Pedro Almeida Ribeiro - Vila Nova de Gaia - Portugal
Pedro Fernandes - Natal – RN
Pedro Lucas Lindoso – Manaus – AM
R. Borges – Erexim – RS
Regina Souza Vieira - Rio de Janeiro – RJ
Rego Júnior – Brasília - DF
Remisson Aniceto – Lapa – SP
Robinson Hiatus – Ilhéus – BA
Robisson de Albuquerque - Uberlândia - MG
Rodrigo Tafuri – Juiz de Fora – MG
Rodrigo Zafra – Santos – SP
Romã Neptune - Rio de Janeiro – RJ
Rosana Banharoli - Santo André – SP
Rosangela Mariano – Campo Bom – RS
Rozelene Furtado de Lima - Teresópolis – RJ
Sérgio Bernardo – Rio de Janeiro - RJ
Simoni Casimiro – Joinville – SC
Sóira Soledade Celestino – São Paulo – SP
Talles Azigon – Fortaleza – CE
Tânia Tiburzio – São Paulo – SP
Tereza Neumann – Salvador – BA
Thiago da Costa - Rio de Janeiro – RJ
Toninho - Salvador – BA
Valmari Nogueira – Salvador – BA
Vanessa dos Santos - Rio de Janeiro – RJ
Vanize Claussen - Teresópolis – RJ
Vinícius Borba - São Sebastião – DF


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Acesse: www.marinamara.com.br

Sebinho promove evento gratuito em homenagem a Carlos Drummond de Andrade



Mariana Moreira
Publicação: 30/10/2012 09:28

No ano passado, o Sebinho, loja para bibliófilos localizada na quadra 406 Norte, inaugurou sua sessão de efemérides literárias, com o Bloomsday, data mundial dedicada à obra de James Joyce (16 de junho). Em seguida, o homenageado foi Carlos Drummond de Andrade, pelo lugar cativo que ocupa entre as preferências literárias da dona da loja, Cida Caldas. “Queríamos usar a mesma ideia para prestar tributo a autores brasileiros e, para mim, ele é o poeta maior”, destaca ela. Diante do sucesso, a fórmula poética ganhará nova edição. Das 8h30 às 20h30 de amanhã, uma sucessão de eventos gratuitos, batizado de Dia D, irá intervir no ambiente da livraria. Delicadezas para agradar aos olhos, ouvidos e até mesmo paladares dos leitores.

A programação, gratuita, terá início com uma novidade. “O Banco do Brasil nos cedeu uma exposição, que será montada dentro da loja, entre 8h30 e 20h”, conta Cida. A mostra Drummond, testemunho da experiência humana, reúne painéis, fotos, informações, trechos de obras e quadros de pintores consagrados. O material é apresentado em ordem cronológica. O catálogo da exposição também será distribuído.
Às 8h30 e às 17h, haverá a exibição do filme Consideração do poema, panorama da obra poética de Drummond, na interpretação de Chico Buarque, Caetano Veloso, Marília Pêra, Milton Hatoum e Adriana Calcanhotto, entre outros. Também o documentário Testemunho da experiência humana, será exibido às 18h. Dirigido por Maria de Andrade, o filme esmiúça a biografia do poeta, lançando um olhar sobre os estilos literários que o influenciaram e gêneros de escrita. Críticos literários e poetas também surgem na tela.

Os professores Alexandre Pilati, um dos principais estudiosos sobre a obra de Drummond no país, fará uma palestra para os presentes. A partir das 19h, ele estará na companhia da também acadêmica Germana Henriques Pereira de Sousa, que falará sobre a influência do homenageado na literatura estrangeira. O ciclo de tributos se encerrará com uma cena de 15 minutos, adaptada e encenada pelo ator Adeilton Lima, baseada no poema Caso do vestido. Durante o almoço e o jantar, o bistrô que funciona dentro da casa servirá um cardápio caprichado em influências mineiras.

Poemação XXX - O Sarau da Consciência Negra: homenagem à Nelson Olokofá Inocêncio

Poemação XXX
Sarau da Consciência Negra
Homenageia Nelson Olokofá Inocêncio

A Biblioteca Nacional de Brasília Leonel de Moura Brizola realizará no dia 06 de novembro de 2012, o Trigésimo Sarau – Poemação pelo dia Nacional da Consciência Negra que homenageia o ativista negro e artista plástico o Prof. Nelson Olokofá Inocêncio.
Nelson Olokofá Inocencio coordenador do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab), na Universidade de Brasília, professor do Instituto de Artes (IDA), autor do livro Consciência Negra em Cartaz e um dos responsáveis pela criação de cursos de história e arte afro-brasileira. Nelson é pioneiro na luta contra a discriminação racial fundador da primeira entidade de negros organizado dentro do DF, o CEAB, Centro de Estudo Afro Brasileiro e fundador do movimento negro Unificado, MNU, no DF. Possui graduação em Comunicação pela Universidade de Brasília (1985) e mestrado em Comunicação pela Universidade de Brasília (1993). Atualmente é professor assistente da Universidade de Brasília. Atua na área de Artes, com ênfase em Arte Educação e Multiculturalismo.
Rêgo Junior natural do Maranhão, morador de Brasília desde 1997 e um dos fundadores do grupo Poeme-se. Junior funcionário público por subsistência, poeta por amor e vocação apresenta seus recitais, de forma performática em bares, espaços culturais e eventos artísticos e populares. Sejam os olhos janelas ou lentes, o fato é que através deles o poeta percebe e captura o mundo em que vive e vai, ao longo da vida, compondo um mosaico de acontecimentos cotidianos, onde cada poema é uma fotografia, um registro poético de um momento que o tempo abocanhou e que só pode ser revivido através das palavras, como revela-nos o poeta Rego Junior
Kleber Zen é poeta, artista plástico e acupunturista. Nascido em Campina Grande/PB, Zen é autodidata, começou a pintar aos 11 anos de idade. Aos 13 anos, realizou sua primeira exposição individual na sua cidade natal. Sua produção poética começou a partir dos 16 anos, participou de inúmeros saraus em João Pessoa. Em 2000, é um dos cofundadores do movimento Embassação, ao lado do violonista Neander Cortez. Em 2002, Zen veio morar no DF e intensificou sua produção poética de forma bem isolada. Em 2004 realizou uma exposição individual no TRT de Brasília. Atualmente, o artista se dedica mais à poesia e à pintura, por enquanto sem publicação das obras realizadas.
Jorge Amancio é carioca, nasceu em 1953 e veio para Brasília em 1976. Licenciado em Física, Pós Graduação em Matemática para Professores e Especialização em Resolução de Problemas de Geometria todos na UnB. Fundador do Centro de Estudos Afro Brasileiro, Fundador do Grupo Cultural Axé Dudu, publicou: NEGROJORGEN 2007 com segunda edição ampliada em 2012 e possui poemas publicados em várias antologias e poemas traduzidos para o espanhol.
Anselmo Ramos Rocha multi-instrumentista, professor da Escola de Música de Brasília, Anselmo Rocha utiliza o acordeom para um passeio da música negra com o projeto Pixinguinha ao Jazz acompanhado do músico Cairo Vitor. Ao final a plateia mostra o talento em Poesia na Plateia. Sorteio de livros para a plateia. O Poemação é realizado todas as primeiras terças feiras do mês no auditório da Biblioteca Nacional. Sob a coordenação dos poetas Jorge Amâncio e Marcos Freitas.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Série de Palestras de Ex-Bolsistas na Alemanha


Cultura, Arte, Sociedade e Ciência – Novas Visões

Segundo o conceito de Alexander von Humboldt, viajante da América Latina e colecionador experiências e resultados científicos e acadêmicos, era de suma importância divulgar seus conhecimentos para uma comunidade maior. Ele decidiu de comunicar os seus resultados de pesquisa para um grande público que não necessariamente precisava de uma formação acadêmica. Essas palestras proferidas sob o título “Kosmos”, posteriormente publicadas em forma de livro, deveriam mostrar o mundo material e divulgar idéias. A obra, o “Kosmos” faz parte do cânone da civilização européia, como dizem os organizadores da edição recente, Prof. Dr. Ottmar Ette da Universität Potsdam e Prof. Dr. Oliver Lubrich da Freie Universität Berlin.

Seguindo essa intenção de tornar acessíveis os conhecimentos acadêmicos e de vivência em terras alheias, a Casa de Cultura Alemã convidou os ex-bolsistas do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico que moram em Fortaleza de proferir uma palestra numa série intitulada “Cultura, Arte, Sociedade e Ciência – Novas Visões”.

Temos agora o grande prazer de compartilhar a rica experiência que foi adquirida por todos aqueles que tiveram a coragem de se arriscar para uma caminhada no limiar das duas culturas, ou sendo a alemã e a brasileira. Sabemos que aquele que vai passar uma temporada fora do próprio país muda no sentido pessoal e profissional adquirindo um diferencial dos demais que não tiveram a mesma oportunidade.  Também essa experiência de pesquisa na Alemanha certamente influenciou a compreensão e visão sobre a própria disciplina. Valorizamos a experiência e estamos muito felizes em poder oferecer um diálogo entre o Brasil e a Alemanha na ocasião dos eventos comemorando os 50 anos da Casa de Cultura Alemã no Ceará.

Segundo Alexander von Humboldt, um bom acadêmico é aquele que é capaz de não só falar sobre o seu trabalho para um público acadêmico da sua área, mas também para um público mais amplo e contribuir desta forma para divulgar conhecimentos e educação.

Tivemos a grande sorte de poder reunir temas das mais variadas áreas que tem em comum a reflexão de assuntos que tocam tanto os brasileiros quanto os alemães.

29.10.2012     
Prof. Dr. Vitor Duarte: A ascensão do tonalismo com Bach, o tonalismo de choques de temas com Beethoven, a quebra da tonalidade com Wagner e Schoenberg

Apresentação: Profa. Dra. Ute Hermanns

05.11.2012     
Profa. Dr. Irenisia de Oliveira: “A volta para Casa em Franz Kafka e Uwe Hübner: Estranhamentos”

Apresentação: Profa. Dra. Ute Hermanns
 
12.11.2012
Prof. Dr. Paulo Albuquerque: “Os estudos de Direito na Alemanha”

19.11.2012
Prof. Dr. Renato Pequeno: “Desigualdades sócio-espaciais e condições de moradia em Fortaleza”

26.11.2012
Prof. Dr. Paulo César Marques de Carvalho: “Uso de fontes sustentáveis de energia: A experiência alemã e brasileira”

03.12.2012
Profa. Dra. Maria Tereza Callado: “Onde se revela um mito da política? Reflexões sobre o conceito de estado de exceção em Walter Benjamin”
Apresentação: Prof. Dr. Eduardo Triandópolis, UECE

10.12.2012
Prof. Dr. João Martins: “O coração e a Alemanha”

Data:               29 de outubro de 2012  até 10 de dezembro de 2012
Horário:          segunda-feira, 19:00 h
Local:             Vila das Artes, Rua 24 de Maio 1221, Centro, Fortaleza CEP 60020-001

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Brasil frustrado por “bloqueio” europeu a reformas no FMI

Inter Press Service - Reportagens
24/10/2012 - 12h11

 por Carey L. Biron, da IPS
diretora Brasil frustrado por “bloqueio” europeu a reformas no FMI
A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, exortou os membros a adotarem reformas que deem mais voz aos países em desenvolvimento. Foto: Medef/cc by 2.0

Washington, Estados Unidos, 24/10/2012 – Após as últimas eleições na Direção Executiva do Fundo Monetário Internacional (FMI), o Brasil e outros países se queixam de que os processos de reforma destinados a aumentar a representação do Sul em desenvolvimento são dificultados pela Europa.
“Houve certo movimento, mas em minha opinião esta suposta redução no número de cadeiras europeias derivou em uma reorganização que, em sua natureza, é basicamente cosmética”, disse à IPS o diretor-executivo do FMI para o Brasil e outros países latino-americanos e caribenhos, Paulo Nogueira Batista. “Os europeus claramente melhoraram a representação de mercados emergentes na União Europeia (UE), como Turquia (em processo de adesão plena ao bloco) e Polônia”, acrescentou.
A Direção Executiva do FMI, que funciona na sede central da instituição, em Washington, consta de 24 membros. Os maiores acionistas desse organismo multilateral (Alemanha, Estados Unidos, França e Grã-Bretanha), mais Arábia Saudita, China e Rússia, têm cadeiras próprias na Direção. Os outros 16 diretores-executivos são eleitos por períodos de dois anos para representar grupos de países, chamados jurisdições, que incluem os 188 membros do Fundo.
Em 2010, foi aprovado um pacote de reformas destinado a atender a histórica preocupação sobre o desequilíbrio na governança do FMI. Esperava-se que essas reformas fossem concretizadas durante as últimas reuniões anuais conjuntas do FMI e do Banco Mundial, realizadas entre os dias 8 e 13 deste mês em Tóquio, e implantadas a partir de janeiro próximo. Porém, os dois prazos não foram cumpridos. Os Estados Unidos estão concentrados em suas próximas eleições presidenciais, e os membros do FMI estão parados em vários assuntos importantes.
Parte deste pacote de reformas inclui mudanças na distribuição de cadeiras na Direção Executiva. Os europeus aceitaram ceder dois postos para aumentar a representação de nações em desenvolvimento. Este processo gerou um importante movimento de países entre as diferentes jurisdições, no que constitui a mudança mais significativa a respeito desde o começo da década de 1990. A segunda parte do processo de reformas tem a ver com o direito a voto na Direção, baseado em “cotas” administradas por uma polêmica e complexa fórmula que favorece as nações industrializadas.
Cada vez aumentam mais os chamados por uma mudança nesse sistema, sobretudo para que se tenha em conta a nova situação econômica mundial, na qual os países de renda média (particularmente Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, que formam o bloco Brics) assumem maior protagonismo. Paulo Nogueira disse que as reformas da fórmula de cotas foi o tema mais controverso em Tóquio.
Os Estados Unidos e a maioria dos países Brics querem que a fórmula se baseie no produto interno bruto de cada nação, enquanto os europeus defendem o critério de grau de “abertura” econômica, o que favoreceria os membros da União Europeia. “Os europeus usam uma incomum definição de ‘abertura’, cujo principal papel parece ser inflar artificialmente as cotas para os países de seu bloco”, afirmou o representante brasileiro no FMI.
Nos últimos dias, Paulo Nogueira criticou abertamente o bloco europeu dentro do Fundo. “O que vimos em Tóquio é que, lamentavelmente, alguns europeus estão se retratando de suas promessas de revisar cotas”, declarou pouco depois de regressar a Washington após as reuniões na capital japonesa. “Esta é uma grande preocupação, pois a credibilidade do Fundo, do G-20 (grupo dos 20 países mais industrializados e emergentes) e dos governos em particular se baseia na fiel implantação do que assinaram nos comunicados, e não vamos deixar isto passar em branco”, acrescentou Paulo Nogueira.
No último ano, o Brasil teve um papel cada vez mais protagonista nas demandas dos países em desenvolvimento, pressão que ficou particularmente plasmada no processo de reformas do FMI. “Foi maravilhoso como o Brasil ameaçou abertamente não cumprir certos compromissos financeiros com o FMI enquanto não se avançar na questão das reformas”, disse à IPS a diretora-executiva da Coalizão por Novas Regras para as Finanças Globais, Jo Marie Griesgraber. “Os brasileiros foram diretos neste processo, fazendo notar ridículas anomalias e apresentando-as perante a Direção para, em seguida, de maneira muito incomum, torná-las públicas”, destacou.
Como a sexta economia mundial, o Brasil fez nos últimos anos um esforço concertado para fortalecer suas relações com todo o Sul, particularmente com a África. Durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2011), o país abriu mais de uma dúzia de novas embaixadas na África, e anunciou que logo inaugurará a sede diplomática número 37, no Malawi. Além disso, Brasília se concentra cada vez mais em proporcionar ajuda financeira internacional, que em 2010 chegava aos US$ 4 bilhões ao ano e crescia rapidamente.
Trata-se de uma significativa mudança para um país que por décadas foi um grande receptor de assistência externa. E, ainda mais importante, a ajuda brasileira se tornou característica por sua ênfase na colaboração técnica Sul-Sul, particularmente centrada em temas agrícolas e sociais. Hoje, o Brasil lidera uma campanha mundial para definir um novo modelo de desenvolvimento, que recebeu maior impulso e atenção após a crise econômico-financeira mundial.
“O que está em jogo aqui não é apenas a proporção de votos no FMI. Desde a crise, o modelo antes preferido, o chamado Consenso de Washington, foi colocado em xeque”, ressaltou Gregory Chin, pesquisador do Centro para a Inovação Internacional em Governança, com sede em Waterloo, no Canadá. “Os países Brics promovem um entendimento diferente das melhores práticas sobre desenvolvimento nacional, e os brasileiros são a força diplomática líder que pressiona por essas mudanças”, disse à IPS.
Esses modelos, incluindo o que é conhecido como o financiamento contracíclico, contradizem diretamente os enfoques historicamente defendidos por instituições como FMI e o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. Porém, Chin explicou que, como várias economias emergentes driblaram a crise global melhor do que o previsto, esses modelos estão recebendo maior atenção nos escritórios centrais do FMI e do Banco Mundial.
O pesquisador também destacou que, enquanto se pressiona por reformas dentro do FMI, existe um esforço paralelo para criar um banco de desenvolvimento financiado por parte do Brics. “Isto é, com um pé fora do sistema e outro dentro, assegurando para eles mesmos um caminho alternativo, porque viram que as coisas acontecem muito lentamente dentro do FMI”, acrescentou Chin.
Agora, alguns analistas aguardam a próxima reunião de cúpula do Brics, em março na cidade sul-africana de Durban, na qual se espera que o país anfitrião agilize os passos para a criação do banco de desenvolvimento. Muitos se perguntam se uma instituição assim será capaz de atuar além do Brics para funcionar em todo o mundo em desenvolvimento, em consonância com o enfoque brasileiro de Sul-Sul.
“O Brasil tenta aumentar seu papel no FMI, em outras organizações internacionais e no G-20, e creio que isto está acontecendo. Todos os membros do Brics estão se envolvendo mais nessas instituições com a esperança de que mudem”, afirmou Paulo Nogueira. “Esperamos que o FMI deixe de ser um fundo monetário do Atlântico norte”, acrescentou. “Apesar de lutarmos contra uma grande inércia institucional, o FMI e outros fóruns internacionais devem ser realmente internacionais se querem ser relevantes na economia do mundo atual”, ressaltou. Envolverde/IPS
(IPS)
 
Fonte: http://envolverde.com.br/ips/inter-press-service-reportagens/brasil-frustrado-por-bloqueio-europeu-a-reformas-no-fmi/?utm_source=CRM&utm_medium=cpc&utm_campaign=24