sexta-feira, 5 de abril de 2013

Saudade, Poeta! - Paulo Cezar Alves Custódio (1952-2013)





“Paco viveu tudo. Paco morreu tudo. Trinta anos, ou mais, de estrada. Todas as andanças, todas as paragens. Sofregamente. Paixões, náuseas, esperanças, vertigens. As suas e as nossas. Do corpo e do tempo. Mas, depois de tudo, o que fica não é a saciedade, a consciência aplacada, não é a pretensa sabedoria do vivido Não é a maturidade. Em Paco, não. Depois de tudo, o que brota é a inocência. É uma outra inocência. /  “Áspera e macia, / fenda de sol e frescor / Sobre o pilar.” / É a inocência (não ingênua: lúcida) que percorre, ainda e sempre, a bela Guanabara, sua e nossa, com um olhar inaugural, capaz de surpreender, por entre “mangues e palácios”, em meio às “vozes do fim”, o pulso insubmisso da cidade, “os sons de toda paz que se faz” — o perene “hino das manhãs”. Só um eterno suburbano como Paco poderia subir, como ele sobe, o outeiro da Glória e de lá do alto fazer a “deus dos céus”, como ele faz, uma belíssima prece pagã”
Luiz Dulci



                                               ***

Rogo a deus dos céus
Que tudo caia sobre mim
Raios, fragmentos de meteoros e fonemas
Trovoadas, maremotos e outros troços
Rogo a deus dos céus
Que tudo venha contra mim
Novenas, cavalhadas e poemas
Nuvens de gafanhotos e às centenas
Estrondo de tambores carnavais
                       ***
Palavra (a)bru(p)ta.
palavra em riste
passarinho que chora
letras são seu alpiste.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Em audiência com ministra, deputados pedem mais recursos para a Cultura

03/04/2013 - 21h06
 
Alexandra Martins / Câmara dos Deputados
Reunião Ordinária com a presença da ministra da Cultura, Marta Suplicy, para apresentação do Plano Estratégico para o ano de 2013
Comissão de Cultura realizou audiência nesta quarta-feira com a ministra Marta Suplicy (C).

Deputados da Comissão de Cultura da Câmara defenderam nesta quarta-feira (3) a necessidade de mais recursos para o setor. Em audiência pública com a ministra da Cultura, Marta Suplicy, os parlamentares também pediram a transformação da Cultura em política de Estado.
“Essa representa a principal preocupação da gente, e isso exige um arcabouço legal e institucional”, afirmou a presidente da comissão, deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ).
Já a relatora do Plano Nacional de Cultura, deputada Fátima Bezerra (PT-RN), disse sonhar com a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição 150/03, que vincula recursos orçamentários para a área cultural. Para ela, “não adianta ter bom plano, bom sistema, se não tiver financiamento”.
Marta Suplicy, no entanto, disse que a prioridade atual do ministério é conseguir R$ 300 milhões para o vale-cultura, criado no ano passado pela Lei 12.761/12.
Vale-cultura
A ministra veio à Comissão de Cultura falar dos projetos da pasta. Em sua opinião, um dos mais importantes é exatamente o vale-cultura. Aprovado pelo Congresso no final do ano passado, o vale destina R$ 50 para trabalhadores regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT - Decreto-Lei 5.452/43) e que ganhem até cinco salários mínimos, para consumo cultural.
Para que o trabalhador receba o benefício, o empregador terá de aderir ao programa. A adesão não tem custo, pois entra como despesa operacional. Segundo Marta, 337 mil empresas estão aptas a participar, o que beneficiaria 2,8 milhões pessoas. O volume total de recursos, se todas participarem, será de R$ 11 bilhões. “Hoje, a Lei Rouanet representa R$ 1,6 bilhão”, compara Marta.
Espaços culturais
Um dos grandes problemas do setor, que pode comprometer inclusive o sucesso do vale-cultura, é a falta de espaços culturais no Brasil. A ministra da Cultura citou estudo do pesquisador Márcio Pochmann, segundo o qual, em 2009, 91% das cidades brasileiras não tinham cinema. Quanto a teatros, são ausentes em 78% das cidades, e 73,7% não têm museu. “O Estado vai dar vale-cultura, e pode ser que as pessoas não tenham aonde ir”, ressaltou Marta Suplicy.
Como forma de solucionar o problema, o deputado Paulo Rubem Santiago (PDT-PE), propôs que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) financie a construção desses espaços. Para o deputado, isso poderá ajudar a acabar também com a concentração da oferta de bens culturais nos grandes centros.

Sistema Nacional
Marta falou ainda do Sistema Nacional de Cultura, também aprovado no Congresso no final de 2012. Segundo a ministra, o objetivo era conseguir a adesão de todos os estados e municípios até 2020. Ela antecipou que a meta será alcançada “muito antes”.
De acordo com a ministra, 30% dos municípios, 22 estados e o Distrito Federal já aderiram à primeira fase, que consiste na assinatura de convênio com o ministério. Destes, 18 estados e 51 municípios já aprovaram lei que institui o fundo, o plano e o conselho de cultura.
Centros de Artes e Esportes
A ministra também discorreu sobre os Centros de Artes e Esportes Unificados (Ceus). Segundo ela, a construção de 320 centros já foi contratada e, até julho, 50 serão inaugurados. Com o objetivo de promover formação artística e o descobrimento de talentos, esses espaços são constituídos por um teatro, com capacidade para 100 pessoas e que funciona também como cinema; uma biblioteca, com acervo sobre artes; e um espaço multiuso.
Pontos de cultura
Quanto aos pontos de cultura, a ministra admitiu que há problemas com a prestação de contas. Para ela, “não se pode cobrar prestação de contas para quem faz arte igual à de quem faz ponte”. E, como o Ministério Público não faz diferenciação, o ministério fica impedido de repassar recursos àqueles que não conseguem cumprir as exigências legais.
Jandira Feghali cobrou medidas urgentes por parte do ministério. Ela disse que presenciou o fechamento de pontos premiados internacionalmente, de pessoas que não sabem sequer escrever direito. “Estamos matando o programa mais inovador do governo do PT. Nos últimos anos, a cada dia, fecha um”, lamentou.

Íntegra da proposta:

Reportagem – Maria Neves
Edição – Pierre Triboli

Pesquisadores brasileiros planejam criação de sensor popular para detectar água potável

04/4/2013 - 10h50

por Redação do EcoD

n23 Pesquisadores brasileiros planejam criação de sensor popular para detectar água potável
O sensor poderá ser utilizado por qualquer pessoa. Foto: Rafael Antony

Já imaginou poder analisar sozinho se a água que você vai utilizar é potável ou não? Em breve isso pode ser uma realidade. Pesquisadores brasileiros aceitaram o desafio de criar um nanossensor de baixo custo e fácil de usar, capaz de saber se uma amostra de água está limpa ou suja.

Intitulado de “sensor popular”, já que poderá ser usado pela população, ele será capaz de identificar a presença de três poluentes na água. São eles: Escherichia coli (bactéria responsável por graves problemas intestinais), metais pesados e glifosato (herbicida).

Os responsáveis pelo projeto são especialistas nas áreas de física, química e biologia. “Um dos fatos que provocou esse programa foi imaginar que a Amazônia é um ‘mar de água’ e que não é potável. A população ribeirinha também não sabe se pode beber a água”, disse o professor Ennio Candotti, vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, ao site Inovação Tecnológica.

O professor Celso Pinto de Melo, da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), lembrou também a importância dessa tecnologia para a população brasileira que é castigada pela seca. Estas pessoas costumam andar quilômetros para conseguir um pouco de água sem ao menos saber a qualidade do que vai encontrar e consumir.

O pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, Carlos César Bufon, afirmou que os sensores nanoestruturados também poderão ser utilizados para avaliar a qualidade de resíduos industriais em águas de rios e lagos e do nível de contaminação da água por contaminantes biológicos, metais pesados e defensivos agrícolas.

* Com informações do site Inovação Tecnológica.
** Publicado originalmente no site EcoD.
(EcoD)

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Prêmio von Martius de Sustentabilidade tem inscrições até 13 de maio

03/4/2013 - 11h01

por Assessoria de Imprensa
n81 Prêmio von Martius de Sustentabilidade tem inscrições até 13 de maioO Prêmio von Martius de Sustentabilidade 2013 está recebendo inscrições pelo site http://www.premiovonmartius.com.br/ até o dia 13 de maio.

Criado em 2000 pela Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha de São Paulo como premio de Meio Ambiente, em 2007 o Premio von Martius passou a reconhecer relatos de melhores práticas (cases) de Sustentabilidade como um todo – foi o primeiro do Brasil a fazer isso. O Premio von Martius tem vários outros pioneirismos: foi o primeiro a premiar cases de Tecnologia; o primeiro a ter o apoio do PNUMA-ONU; o primeiro a compartilhar os projetos inscritos em um livro distribuido gratuitamente; o primeiro a adotar auditoria externa independente de procedimentos; o primeiro a ter uma certificação da pegada ecológica e o primeiro a compensar as emissões de gases de efeito estufa (GEEs) do Brasil.

Realizado desde o ano de 2000 para “reconhecer o mérito de iniciativas de empresas, do poder público, de indivíduos e da sociendade civil que promovem desenvolvimento econômico, social e cultural no contexto do desenvolvimento sustentável”, o Premio von Martius é um dos mais disputados, seletivos e importantes do país: em 11 edições recebeu a inscrição de 1.464 projetos e premiou 99 cases – um premiado a cada 14 projetos inscritos. Nos anos 2011 e 2012 foi suspenso, retornando agora em 2013 de maneira especial: o evento de entrega dos resultados será realizado durante a 5a. EcoGerma, a feira de tecnologia e congresso técnico realizados pela Câmara Alemã em parceria com o Governo da Alemanha em São Paulo, em junho de 2013.

Segundo Ricardo Rose, diretor do Departamento de Meio Ambiente, Energias Renováveis e Eficiência Energética da Câmara Alemã e coordenador do Premio, “a edição 2013 do Premio von Martius de Sustentabilidade será muito especial porque estamos unindo dois sucessos – o Premio e a EcoGerma – em um ano no qual se comemora o Ano da Alemanha no Brasil.”

O Prêmio von Martius sempre teve um processo de avaliação feito por uma Comissão Julgadora independente, composta por jornalistas, especialistas e empresários, que se reúnem e lêem os projetos inscritos. O jornalista e consultor Rogerio Ruschel, que coordena o processo seletivo do von Martius desde o ano 2.000 informa que a coordenação decidiu manter o perfil de uma Comissão Julgadora seletiva que tem acesso aos cases inscritos, aos documentos originais, e não apenas lê resumos pela internet: “Entendemos que isso enriquece o julgamento e agrega credibilidade aos resultados.”

O Premio von Martius tem uma taxa de inscrição de R$ 100,00. A inscrição é feita nas Categorias Natureza, Humanidade ou Tecnologia por internet mas só se completa com o envio de duas cópias impressas do case pelo correio. A edição 2013 tem o patrocínio da Volkswagen; o apoio do CEBDS, PNUMA, WWF e Sustentax; auditoria de procedimentos da BRTUV e compensação de GEEs da CarbonFix.

Mais informações: Danielly Andrade – Departamento de Meio Ambiente, Energias Renováveis e Eficiência Energética – Tel.: (+55 11) 5187 5149